21 de maio de 2017

De volta para casa

Certas situações você preferiria não vivenciar nunca, mas elas estão diante de nós e não há como evitar, assim como também não há como esquecer.

  Durante a maior parte da minha vida não tive nenhum contato próximo com a morte: nunca tinha visto ninguém morrer ou tampouco perdido alguém, até começar a estudar enfermagem e tudo mudar...
  Vi jovens e idosos partirem, e também vi milagres mesmo quando a medicina já tinha cortado qualquer fio de esperança. Vi pessoas lutarem pela vida enquanto outras desistiam. Ouvi muitas vezes o monitor cardíaco parar, mas ver pessoas morrerem nunca será algo comum para mim, e se torna mais doloroso ainda quando há apego. 

  Vim para Tailândia destinada a cuidar de pacientes HIV+, mas na realidade eu não tinha noção do quanto seria árduo essa escolha.
  Eu a vi chegando numa cadeira de rodas, tão debilitada, tão magrinha e tão jovem! Pla (nome fictício), tinha um rosto bonito e era vaidosa, e duas semanas foram o suficiente para amá-la e conhecê-la mais. Foram duas semanas que marcaram a minha vida para sempre! 
  Eu dei o melhor enquanto cuidei dela e emprestei toda a minha dedicação mesmo quando não falávamos a mesma língua. A vi sofrer muito entre os seus 9 diagnósticos e eu sofria junto por não poder aliviar sua dor, mas também lembro com doçura às vezes em que ela segurava a minha mão e sorria, ou quando eu acabava algum procedimento e ela juntava as mãozinhas e fazia o sinal de agradecimento. Desenhou florzinhas e corações como forma de me presentear e também vi seus olhinhos asiáticos encherem d'água enquanto cuidava dela. 

  Vi o desejo de Pla de continuar viva e concluir seus sonhos e planos, mas o fato é que ela estava morrendo aos poucos, e eu sabia que não me restava muito tempo e eu não podia deixá-la partir sem conhecer o verdadeiro caminho de volta pra casa: Jesus! Cinco dias antes de sua morte, esperei ela terminar de jantar e com a ajuda de uma tradutora comecei a falar de Jesus. Ela estava cansada, sem energia naquele dia, mas estava totalmente consciente, e falou que não conhecia Jesus. Eu O apresentei a Pla e falei de Seu amor, Seu perdão, Seu sacrifício e perguntei se ela queria Jesus em sua vida e se um dia gostaria de ir morar com Ele, e ela muito convicta me falou que gostaria, mas que não tinha dinheiro para isso. Fiquei surpresa com aquela resposta! Explicamos para ela que não necessitava de dinheiro, apenas que ela cresse em Jesus o filho de Deus, e então, aliviada por não precisar pagar, ela falou que queria sim e então oramos juntas, e Pla estava tão consciente do que se passava que juntou as mãozinhas em sinal de reverência e fechou os olhos... Eu orei por ela tão emocionada e feliz em saber que poderia acontecer qualquer coisa a partir dali, mas sua alma estaria salva.

  Pla se foi, mas teve pessoas que se importaram e a receberam de braços abertos durante seus últimos dias, já não estava mais abandonada. Se foi com dignidade eu posso dizer, e a única coisa que me alegra é que eu cumpri minha missão quando a ajudei a encontrar o seu caminho de volta para casa, de volta para o Pai.


9 de maio de 2017

Sou transformada enquanto amo

  Sim, o AMOR transforma!
  Começa na vertical, no seu relacionamento de amor com Deus, e então você aprende com Ele como amar as pessoas ao seu redor. Eu já tive muita dificuldade em me sentir amada e também em como demonstrar amor, e foi conhecendo melhor o caráter de Jesus que esse fruto foi plantado em mim.
  Jesus era gentil, doce, sábio, bondoso, amava crianças, conversar com pessoas, estar perto dos Seus amigos, tinha um coração misericordioso, e andando com Jesus eu percebi que precisava e queria me parecer com Ele.
  Nessa caminhada em missões não há outro caminho: é amar ou cair fora. Primeiro porque preciso amar mais a Deus do que o conforto da minha casa, a comidinha da mamãe, a minha língua materna, minha cultura, para ir onde Ele tem me chamado. Segundo porque se eu não tiver amor por vidas, como vou apresentar Jesus aos povos? É impossível fazer missões sem amor, e o que eu faço no campo é nada mais nada menos que amar as pessoas. Há muitos países que não se pode pregar o evangelho, há também o desafio do idioma, ou até mesmo onde há liberdade religiosa, a única forma de apresentar Jesus às nações é sendo Seus imitadores.
"De 100 homens, um lerá a Bíblia; 99 lerão o cristão."
  Tenho memórias gravadas na minha mente: crianças descalças, povos isolados na Amazônia, vilarejos distantes nas montanhas, pessoas que tocaram na Bíblia pela primeira vez, sertanejos orando por chuva, uma paciente em estágio terminal do HIV... Se eu amo pessoas, eu sentirei prazer em orar, levar as boas-novas e ser encorajada a não desistir da minha caminhada por mais desafiadora que pareça. Eu entendi que Ele me amou primeiro e também têm me ensinado dia após dia a amar o meu próximo, seja quem for. Amar um povo distante, perdido e enfermo, de outra religião, outra cultura, um povo simpático mas que muitas vezes dizem não para mim enquanto tento me aproximar para falar de Jesus. Claro que o amor não vem de mim mesma, não é fácil assim, vem de Deus, é fruto e dom do Espirito. Tudo começa com o Amor, e os outros frutos serão gerados naturalmente, pois o amor traz consigo a paciência, a bondade, fidelidade, mansidão....
Descobri que a coisa mais importante que acontece quando você ama, 
é que você muda (para melhor).







19 de abril de 2017

Nosso lugar, só nosso!

 Quando você tem intimidade com alguém nem sempre precisa de palavras para entender o que a outra pessoa quer falar. Um olhar, um suspiro, um toque, já será suficiente...

  Depois de um feriadão de quase 10 dias eu estava com saudades de casa, em especial do lugar onde eu O encontro, e o lugar não tem nada de mais além de um banquinho e uma janela aberta de onde eu posso ver o céu estrelado enquanto conversamos.
  Mas sabe, ao voltar para 'nosso lugar' algo me chamou a atenção: o banquinho estava lá, intocável. Bem, esse lugar de encontro com Deus, embora seja só nosso, muitas pessoas tem acesso, pois não é um lugar escondido, privado, e me surpreendeu ver que mesmo depois de uns 10 dias em que eu estive fora ninguém tinha tocado, tudo estava do mesmo jeito. Eu estava com tanta saudade de ir lá, sentar e encontrar o meu Pai, e ao ver o banquinho lá, eu senti como se Ele me falasse que também me esperava ansiosamente, que o nosso lugar estava pronto, que nunca mudou! O Pai já estava lá só esperando que eu chegasse e ocupasse o meu lugar no nosso encontro, Sempre Deus é o mais interessado em nos encontrar, em chegar primeiro e preparar o lugar com Sua presença para nos receber.

INTIMIDADE

Meu lugar estava lá, sempre vai estar, embora que mude o cenário, embora que mude o ambiente ou passe os dias, sempre será um lugar para dois, só nós dois, eu e o Pai... 




"Com amor eterno te amei; com amor leal a atraí para mim mesmo!"
Jeremias 31.3


P.sNão abra mão dos seus momentos com Ele. Gaste/Ganhe tempo de qualidade com o Pai, porque não existe relacionamento sem intimidade...


15 de janeiro de 2017

Karen, fique comigo.

Esse foi o pedido de uma criança tailandesa de 4 anos de idade enquanto eu cuidava dele durante uma crise de asma durante a madrugada, e esse pedido foi também uma resposta de oração.
  Vir para Ásia fazer missões não foi um sonho, uma aventura ou uma loucura. Vir para Ásia fazer missões foi o cumprimento de uma promessa do Senhor na minha vida. Aqui nesse continente é o lugar que Deus tem me chamado para atuar já faz muito tempo e derramado um amor em meu coração que não sei explicar. Eu amo a Ásia e também entendo que aqui é um dos lugares que mais necessita de missionários e poucos querem vir, pois os desafios são capazes de assustar muitos, mas não a mim.
  Então eu vim. Vim com uma mala, um visto de um ano, a cara e a coragem. Confesso que eu ainda questionava quanto tempo eu ficaria na Tailândia, se seria só um ano mesmo como estava no meu visto ou mais tempo e comecei a orar por algo que no fundo eu já sabia qual seria a resposta.
  Ao olhar pra trás, para as pessoas e as coisas que deixei no Brasil, eu já não enxergava mais a minha vida lá. Por que voltar a minha antiga vida se agora eu estava exatamente no lugar que Deus prometeu me dar? E as respostas às minhas orações sempre eram voltadas à vida de Jesus e os discípulos, e Deus me fez entender que o chamado era ir sem se preocupar em voltar. Eu simplesmente não posso voltar atrás e desistir do "Eis-me aqui. Envia-me a mim!".

" Jesus lhes disse: 'Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente', 
então eles largaram logo as redes e foram com Jesus." (Mateus 4.19-20)

  Não apenas nesse versículo acima, mas em tantos outros mostram Jesus chamando discípulos e eles indo, e é sempre assim "Vão". Não existem promessas de volta; não há volta.

  Eu decidi ficar na Tailândia depois de muito orar e buscar conhecer a vontade do Senhor, que sempre me dizia para não ficar ansiosa com o futuro incerto, de quanto tempo será, como, onde, finanças e etc.
Ouvi Deus me encorajar e entendi que deveria estudar o idioma Thai; senti paz; segui cada direção que Ele me trouxe e aceitei cada mudança; me alegrei com os planos do Senhor para o meu 2017; no mesmo dia que perguntei ao Senhor se deveria continuar aqui, ouvi o pedido dessa criança como o próprio Deus me dizendo: FIQUE!

Meu tempo aqui ainda não acabou, está só começando!

4 de janeiro de 2017

3 Razões para os missionários mandarem emails

por Gabriel Louback
No 1º semestre de 2016, tive a oportunidade de dar uma aula sobre conteúdo, texto e comunicação à 5ª turma do CTMAIS. Uma das perguntas que surgiram foi: “Por que eu preciso escrever um email para minha igreja, pastor ou mantenedores? Eu não gosto de falar de mim”. Me identifico muito com essa pergunta, pois, como jornalista, também tenho dificuldade sobre falar de mim. Assim, decidi falar um pouco mais sobre isso, sobre por que não só missionários precisam escrever, mas por que todos deveríamos.
Como jornalista, estou acostumado a dar voz às histórias que talvez não seriam contadas se eu não estivesse ali, ouvindo cada uma delas. Ao pensar nessa vocação aplicada ao Reino, isso faz ainda mais sentido quando pensamos na caminhada junto à igreja sofredora: somos chamados a chorar com os que choram, a abraçar os desamparados. Por termos sido nós mesmos abraçados em nossas dores e tido nossas lágrimas enxugadas, somos convidados a fazer o mesmo. Creio que escrever uma carta ou email contando sobre o que temos visto e vivido faz parte desse ministério. Por isso, listei 3 motivos que me levam a crer nisso.
1 – Dar voz às vozes que não são ouvidas
Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados, (…) defenda os direitos dos pobres e dos necessitados“
 – Provérbios 31:8-9
Quando me perguntam sobre chamado ou vocação, é esse texto de Provérbios que me vem à cabeça. Vem acompanhado de outros, entre eles “Moisés, o que é isso em sua mão?” (Ex 4:2), sobre usar o que já possuo; ou “Adão, onde está você?” (Gen 3:9), que me faz lembrar qual é meu primeiro chamado. Mesmo assim, o texto de Provérbios me dá uma direção, o que fazer com o que possuo nas mãos, para qual fim, além de ser o resultado do encontro com o Eterno à tardinha, o que acontece depois disso: erguer a voz em favor dos que não podem defender-se.
2 – Obra de Deus, ministério de todos
É importante escrever porque é importante que sua igreja e seus parceiros saibam sobre o que você tem feito, não como relatório, mas como participação conjunta. Como uma das alunas naquela aula respondeu sabiamente, “Não estamos sozinhos na obra. Ao escrevermos, trazermos para perto de nós, para aquela caminhada, as pessoas que não estão ali conosco fisicamente”. Nesse processo, conseguimos trazê-las para perto, para nosso dia a dia, fazendo com que a distância diminua. Esse ministério não é só nosso, mas também da comunidade que nos apoia. Quando escrevemos, a comunidade assume o lugar dela conosco.
3 – Testemunhar as maravilhas que Deus faz
É importante escrever pois, no campo, temos acesso a histórias e acontecimentos que a maioria das pessoas não saberão se não contarmos. As cartas de Paulo, por exemplo, narram o que ele vivia mas, acima de tudo, narram o que Deus estava fazendo. Da mesma maneira, os emails e cartas enviados por missionários distantes — mais do que suas conquistas e realizações –, devem refletir as façanhas e maravilhas realizadas por Deus.
As histórias que contamos têm um único personagem e narrador, o próprio Senhor da História. No fim, elas devem falar sobre Ele, não sobre nós. O Eterno tem contado uma história com a humanidade há milhares de anos. Ele estava lá quando procurou um Adão que se escondia. Ele estava lá quando a Tenda do Encontro foi armada, para conversar como um amigo com Moisés. Ele está aqui hoje, e convida-nos a fazer parte da história dEle.

Erga sua voz, exerça esse ministério comunitário e testemunhe sobre o que Deus tem feito.

9 de novembro de 2016

7 razões para fazer missões

Entendemos a Grande Comissão, ou o “Ide”, como um mandamento de Cristo não apenas àqueles que têm uma vocação transcultural, mas a todos os cristãos. Todos vivemos integralmente por essa missão, a de reconciliação do homem com Deus, ensinando o que ouvimos, discipulando, batizando, onde quer que estejamos.
Existem diversos motivos mal interpretados pelas pessoas quando elas decidem participar de missões em outros países. Por outro lado, precisamos lembrar o porquê de fazermos o que fazemos, de estarmos onde estamos e por quem fazemos isso.
Assim, perguntamos aos nossos missionários no campo: “Por que vale a pena fazer missões?”. Essas são as respostas:
1 – Vale a pena pelas vidas
”
Vale a pena pelo que aprendemos — é o princípio da vida que vemos em Cristo. É quando nos damos pelos outros que a vida brota, tanto no outro quanto em nós! Vale a pena também porque estamos estamos perto das pessoas descritas em Tiago 2:5 (‘…não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam?’).
Assim, podemos absorver um pouco da fé desses e aprender com eles, do Reino. Vale a pena porque tem a capacidade de nos trazer mais perto de Cristo. Vale a pena porque os sofrimentos são pequenos em relação aos ganhos. Vale a pena porque a vida tem sentido, significado e propósito.”
2 – Todos os cristãos são missionários
“Ser missionário é a função de todos os cristãos, cada um na sua área de atuação. Não existem classes de cristãos, existem cristãos com vocações distintas. Mas essas distinções não os distinguem em grau de importância. O missionário plantador de igrejas em meio a povos não alcançados é tão relevante quanto o missionário pedreiro, médico, vendedor, pastor ou engenheiro, em meio a comunidades já ‘alcançadas’.
Todos estamos amparados pelo comando de Atos 1:8 (‘e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra’). Sendo assim, a vida integral em Cristo vale a pena porque apenas nela encontramos sentido (direção) e significado (propósito) para nossa humanidade.”
3 – O mínimo
“Poderia falar que é porque Deus ordenou ou porque precisamos cumprir o ‘Ide’, mas creio que a minha razão para ser missionário é fazer o mínimo — o mínimo! — que Cristo fez por nós na cruz. É o mínimo que podemos fazer, independente da missão integral, sabendo que todos somos missionários e devemos levar a Palavra. Por isso, é o mínimo. Além disso, é um propósito de vida estar aqui, do qual não consigo olhar e não fazer isso. Não tenho como viver o Evangelho sem estar integralmente na missão, sem estar integralmente realizando a obra do Senhor aqui. Isso me deu um propósito de vida.”
4 – Dependência de Deus
“Vale a pena porque a dependência de Deus é vivida em uma outra dimensão e intensidade. Estar dedicado em tempo integral a missões é colocar não somente os planos de Deus à frente dos seus, mas se alegrar com o que O alegra e se entristecer com o que O entristece. Vale à pena porque a gente tem mais ‘oportunidades’ de ser resposta dEle onde somos enviados, ou onde estamos vivendo, sem precisar ir a outro país ou estado.”
5 – Vale a pena ser obediente
“Sem romantismo ou com o objetivo de convencer alguém, Provérbios 19:21 diz: ‘Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor’. Assim, entendo que ser missionário é abandonar os seus sonhos, que são muitas vezes gerados pelos padrões do mundo. Sabendo que, como um filho de Deus que escolhe ser obediente a seu Pai, termos a certeza de estar no centro da vontade do Pai que nos traz alegria
Assim, consideramos que vale a pena ser obediente porque ser missionário é um ato de obediência, é uma resposta ao que Jesus nos ensinou, ‘Se me amam, guardem meus mandamentos’. E um dos mandamentos é o ‘Ide’. Quando obedecemos em ser missionários em tempo integral, em nosso dia a dia, nós conseguimos ver Deus, entendê-Lo de uma outra maneira. Seja no escritório ou no campo, vemos algo diferente dos padrões do mundo. Entendemos melhor Seu imenso amor.”
6 – Temos uma missão
“O conceito missionário não é comum aqui no Haiti. Porém, depois do treinamento que recebi da MAIS e do discipulado que foi feito, eu comecei a ouvir a voz de Deus falando comigo, que eu tenho uma missão, que eu tenho uma vocação, e comecei a entender melhor quem Jesus é e quem eu sou.
Aí em Lucas 4:18, Jesus mostra a missão que Ele veio fazer (pregar as boas novas aos pobres, proclamar liberdade ao presos, libertar os oprimidos). Um missionário é uma pessoa que tem uma missão, que tem um objetivo, que tem algo bem específico para fazer, e que ninguém pode fazer.

Então, vale a pena porque estamos entendendo a voz de Deus e fazemos aquilo que Ele nos pediu, para estabelecer Seu Reino aqui na Terra.”

7 – Estar em harmonia com Deus
“Ser missionário não é uma profissão, não é um cargo. Ser missionário é algo que acontece no coração. Existem tantas maneiras de ser missionário… tantos povos e nações, tantas maneiras de responder ao ‘Ide’, seja indo para outro país ou no seu dia a dia. Ser missionário é levar uma mensagem, e dá para fazer isso de inúmeras maneiras, para inúmeras pessoas. Então, quando falo de ‘valer a pena ser missionário’, não é por um título que carrego. É por que obedeço a uma ordem de Deus. E obedecer, para mim, é estar em harmonia com Deus. Por isso, vale a pena. Pois quando sou missionário, estou em harmonia com meu Pai.”

Fonte: Missão Mais no mundo-https://maisnomundo.org/7-razoes-para-fazer-missoes/)

10 maneiras de encorajar um missionário

No esforço de aprender como encorajar melhor a vida de missionários, mandei email para alguns deles perguntando como mais gostariam de ser servidos e encorajados. A lista abaixo foi feita com base nas respostas deles.

1. Ore por eles e garanta que saibam que você faz isso com frequência

“Uma das coisas mais inspiradoras e encorajadoras que podemos receber é um email, curto e direto, dizendo que alguém está ‘pensando’ em nós.”

2. Envie uma “correspondência de verdade”

“Envie um pacote, mesmo que pequeno. Uma boa ideia é mandar algum alimento que a gente não consegue encontrar no local onde estamos servindo.”
“Uma ideia para encorajar missionários em locais com datas festivas características (Thanksgiving nos EUA, por exemplo) é enviar uma caixa antes da data com itens decorativos para enfeitar a casa.”
“Mande pra gente um cartão de aniversário. Não precisa ter um texto longo, escrito à mão. Apenas uma lembrancinha, um cartão impresso em casa.”
“Correspondências reais são sempre algo especial. Sério, receber algo palpável e real vai além de receber coisas de sua terra natal (o que é legal), mas é valioso pois traz uma lembrança mais tangível por parte das pessoas que amo e sinto saudade, mostrando que elas também me amam, sentem minha falta e pensam em mim.”

3. Ore pelas pessoas que os missionários servem e não “apenas” pelos missionários e suas famílias.

4. Convide outras pessoas para orarem pelas áreas de atuação dos missionários (a cidade onde vivem, grupos e pessoas com que trabalham etc), além de orações pelos próprios missionários.

“Isso pode ser algo incrível: ter uma pessoa ou um grupo de pessoas suportando de forma ativa nosso trabalho no exterior — tornando-se defensores de nosso trabalho e da cidade onde vivemos. É realmente encorajador saber que existem pessoas que se posicionam por nós e que convocam mais pessoas a apoiarem o trabalho missionário.”
“Se tornar o nosso braço direito no país natal. Algumas ideias incluem: ajudar a distribuir nossos informativos, planejar a parte logística quando estivermos de volta ou orientar grupos de visita ao campo de curto período.”

5. Faça visitas aos missionários com o propósito de servi-los e encorajá-los em seus ministérios.

“É muito bom ter um grupo de pessoas que venha ministrar a nós enquanto estamos ofertando nossas vidas para ajudar ao próximo. Isso pode acontecer em um pequeno acampamento com nosso time ou algo parecido, além de poderem vir orar enquanto andam pela cidade onde estamos.”

6. Envie a eles fotos e notícias suas e da sua família (seja por carta ou email).

“Seria especialmente agradável receber no final do ano notícias de nosso conhecidos ou algum cartão de Natal. Nós queremos continuar conectados a você! Nós adoramos saber sobre o que tem acontecido na sua vida e da sua família!”
“Se você tem amigos no exterior, mantenha contato com eles. Não deixe que a preocupação religiosa de ter conversas espirituais faça com que você deixe de ter conversas ‘não-espirituais’, seja sobre o cotidiano e as pequenas coisas do seu dia. Isso é algo que você faria (ou fazia) naturalmente se o encontrasse para um almoço. Às vezes, os emails ‘menos espirituais’ são os que mais ajudam, porque, de alguma forma, sinto que estou menos distante quando meus amigos falam comigo como sempre falaram antes de viajar. Compartilhe e fale sobre as coisas que têm acontecido ultimamente na sua família, escola, trabalho, futebol — qualquer coisa que você falava antes de seu amigo missionário ir para o exterior.”

7. Faça perguntas sobre o que eles estão fazendo

“Não pergunte apenas sobre como estamos, mas também sobre nosso trabalho… e tente saber tudo o que puder sobre as pessoas e a cidade com as quais estamos envolvidos.”
“Sei que já falei isso, mas um real interesse no nosso trabalho é a melhor maneira de nos encorajar.”

8. Continue sendo um amigo cristão e continue ministrando na vida do missionário.

“Não deixe de ser a nossa igreja quando estamos fora. Sempre que a segurança permitir, tenha conversas espirituais: elas fazem bem ao nosso coração. Missionários lutam com as mesmas questões pecaminosas que afligem cristãos em todo o mundo. Deixar seu lar para viver entre povos não-alcançados talvez seja um passo de fé no processo de santificação, mas não é um passo que enterra todos os pecados. É mais provável até que exponha e traga à tona todo o tipo de pecado que foi ‘esquecido’ ou não foi percebido anteriormente. Ter amigos que me conhecem, que têm paciência comigo e que sabem que ainda sou o mesmo pecador lutando contra essa natureza me ajuda a permanecer na humildade, quando tentado a me tornar arrogante ou cair em desespero.”
“Mesmo com um cuidado dos membros, é muito bom e importante receber cuidado pastoral do líder de nossa igreja. Muitas vezes ele é um conhecido pessoal e próximo do missionário, sabendo de sua história, podendo, assim, aconselhá-lo de maneira eficaz, além da nossa família e casamento.”
“Faça-nos aquelas perguntas difíceis. E pratique aconselhamento pastoral conosco.”
“Por favor, não nos coloque em um pedestal. Também somos pessoas normais, como você, que foram perdoadas da mesma maneira, mas que, por alguma razão, Deus chamou para vivermos nossos ministérios fora de nosso local de origem.”

9. Suporte-os financeiramente.

“Descobrir se temos alguma necessidade específica e responder a essa necessidade, buscando supri-la, é algo maravilhoso para nós.”

10. Procure encorajá-los quando estiverem em alguma missão ou tarefa em sua terra natal.

“Deixe-nos falar com você, sua congregação e pequenos grupos sobre nosso ministério. Queremos compartilhar sobre o que Deus tem feito ao redor do mundo e adoraríamos ter a oportunidade de falar sobre isso, podendo trazer atenção sobre o assunto e com muita esperança ganhar mais suporte em oração.
“Convide-nos para sair, para almoçarmos juntos ou jantar. Não precisa ser nada chique ou especial. Lembre que estivemos em lugares onde muitas vezes não conseguimos encontrar nem um arroz e feijão caseiro.”
Extra 
Nenhum missionário mencionou isso pra mim nos emails, mas eu sei que é uma benção quando alguém empresta sua casa de verão ou no campo para que um missionário e sua família possam aproveitar uns dias e relaxar em um lugar tranquilo.
“Fale pra gente sobre livros que precisam ser lidos. Conte-nos sobre recursos e fontes que podem beneficiar nosso crescimento pessoal e nosso trabalho ministerial, como conferências, treinamentos para líderes e ministros, entre outras coisas.”

* Texto de Mark Rogers, traduzido e adaptado do site “The Gospel Coalition” — http://www.thegospelcoalition.org/article/10-ways-to-encourage-a-missionary