9 de novembro de 2016

7 razões para fazer missões

Entendemos a Grande Comissão, ou o “Ide”, como um mandamento de Cristo não apenas àqueles que têm uma vocação transcultural, mas a todos os cristãos. Todos vivemos integralmente por essa missão, a de reconciliação do homem com Deus, ensinando o que ouvimos, discipulando, batizando, onde quer que estejamos.
Existem diversos motivos mal interpretados pelas pessoas quando elas decidem participar de missões em outros países. Por outro lado, precisamos lembrar o porquê de fazermos o que fazemos, de estarmos onde estamos e por quem fazemos isso.
Assim, perguntamos aos nossos missionários no campo: “Por que vale a pena fazer missões?”. Essas são as respostas:
1 – Vale a pena pelas vidas
”
Vale a pena pelo que aprendemos — é o princípio da vida que vemos em Cristo. É quando nos damos pelos outros que a vida brota, tanto no outro quanto em nós! Vale a pena também porque estamos estamos perto das pessoas descritas em Tiago 2:5 (‘…não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam?’).
Assim, podemos absorver um pouco da fé desses e aprender com eles, do Reino. Vale a pena porque tem a capacidade de nos trazer mais perto de Cristo. Vale a pena porque os sofrimentos são pequenos em relação aos ganhos. Vale a pena porque a vida tem sentido, significado e propósito.”
2 – Todos os cristãos são missionários
“Ser missionário é a função de todos os cristãos, cada um na sua área de atuação. Não existem classes de cristãos, existem cristãos com vocações distintas. Mas essas distinções não os distinguem em grau de importância. O missionário plantador de igrejas em meio a povos não alcançados é tão relevante quanto o missionário pedreiro, médico, vendedor, pastor ou engenheiro, em meio a comunidades já ‘alcançadas’.
Todos estamos amparados pelo comando de Atos 1:8 (‘e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra’). Sendo assim, a vida integral em Cristo vale a pena porque apenas nela encontramos sentido (direção) e significado (propósito) para nossa humanidade.”
3 – O mínimo
“Poderia falar que é porque Deus ordenou ou porque precisamos cumprir o ‘Ide’, mas creio que a minha razão para ser missionário é fazer o mínimo — o mínimo! — que Cristo fez por nós na cruz. É o mínimo que podemos fazer, independente da missão integral, sabendo que todos somos missionários e devemos levar a Palavra. Por isso, é o mínimo. Além disso, é um propósito de vida estar aqui, do qual não consigo olhar e não fazer isso. Não tenho como viver o Evangelho sem estar integralmente na missão, sem estar integralmente realizando a obra do Senhor aqui. Isso me deu um propósito de vida.”
4 – Dependência de Deus
“Vale a pena porque a dependência de Deus é vivida em uma outra dimensão e intensidade. Estar dedicado em tempo integral a missões é colocar não somente os planos de Deus à frente dos seus, mas se alegrar com o que O alegra e se entristecer com o que O entristece. Vale à pena porque a gente tem mais ‘oportunidades’ de ser resposta dEle onde somos enviados, ou onde estamos vivendo, sem precisar ir a outro país ou estado.”
5 – Vale a pena ser obediente
“Sem romantismo ou com o objetivo de convencer alguém, Provérbios 19:21 diz: ‘Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor’. Assim, entendo que ser missionário é abandonar os seus sonhos, que são muitas vezes gerados pelos padrões do mundo. Sabendo que, como um filho de Deus que escolhe ser obediente a seu Pai, termos a certeza de estar no centro da vontade do Pai que nos traz alegria
Assim, consideramos que vale a pena ser obediente porque ser missionário é um ato de obediência, é uma resposta ao que Jesus nos ensinou, ‘Se me amam, guardem meus mandamentos’. E um dos mandamentos é o ‘Ide’. Quando obedecemos em ser missionários em tempo integral, em nosso dia a dia, nós conseguimos ver Deus, entendê-Lo de uma outra maneira. Seja no escritório ou no campo, vemos algo diferente dos padrões do mundo. Entendemos melhor Seu imenso amor.”
6 – Temos uma missão
“O conceito missionário não é comum aqui no Haiti. Porém, depois do treinamento que recebi da MAIS e do discipulado que foi feito, eu comecei a ouvir a voz de Deus falando comigo, que eu tenho uma missão, que eu tenho uma vocação, e comecei a entender melhor quem Jesus é e quem eu sou.
Aí em Lucas 4:18, Jesus mostra a missão que Ele veio fazer (pregar as boas novas aos pobres, proclamar liberdade ao presos, libertar os oprimidos). Um missionário é uma pessoa que tem uma missão, que tem um objetivo, que tem algo bem específico para fazer, e que ninguém pode fazer.

Então, vale a pena porque estamos entendendo a voz de Deus e fazemos aquilo que Ele nos pediu, para estabelecer Seu Reino aqui na Terra.”

7 – Estar em harmonia com Deus
“Ser missionário não é uma profissão, não é um cargo. Ser missionário é algo que acontece no coração. Existem tantas maneiras de ser missionário… tantos povos e nações, tantas maneiras de responder ao ‘Ide’, seja indo para outro país ou no seu dia a dia. Ser missionário é levar uma mensagem, e dá para fazer isso de inúmeras maneiras, para inúmeras pessoas. Então, quando falo de ‘valer a pena ser missionário’, não é por um título que carrego. É por que obedeço a uma ordem de Deus. E obedecer, para mim, é estar em harmonia com Deus. Por isso, vale a pena. Pois quando sou missionário, estou em harmonia com meu Pai.”

Fonte: Missão Mais no mundo-https://maisnomundo.org/7-razoes-para-fazer-missoes/)

10 maneiras de encorajar um missionário

No esforço de aprender como encorajar melhor a vida de missionários, mandei email para alguns deles perguntando como mais gostariam de ser servidos e encorajados. A lista abaixo foi feita com base nas respostas deles.

1. Ore por eles e garanta que saibam que você faz isso com frequência

“Uma das coisas mais inspiradoras e encorajadoras que podemos receber é um email, curto e direto, dizendo que alguém está ‘pensando’ em nós.”

2. Envie uma “correspondência de verdade”

“Envie um pacote, mesmo que pequeno. Uma boa ideia é mandar algum alimento que a gente não consegue encontrar no local onde estamos servindo.”
“Uma ideia para encorajar missionários em locais com datas festivas características (Thanksgiving nos EUA, por exemplo) é enviar uma caixa antes da data com itens decorativos para enfeitar a casa.”
“Mande pra gente um cartão de aniversário. Não precisa ter um texto longo, escrito à mão. Apenas uma lembrancinha, um cartão impresso em casa.”
“Correspondências reais são sempre algo especial. Sério, receber algo palpável e real vai além de receber coisas de sua terra natal (o que é legal), mas é valioso pois traz uma lembrança mais tangível por parte das pessoas que amo e sinto saudade, mostrando que elas também me amam, sentem minha falta e pensam em mim.”

3. Ore pelas pessoas que os missionários servem e não “apenas” pelos missionários e suas famílias.

4. Convide outras pessoas para orarem pelas áreas de atuação dos missionários (a cidade onde vivem, grupos e pessoas com que trabalham etc), além de orações pelos próprios missionários.

“Isso pode ser algo incrível: ter uma pessoa ou um grupo de pessoas suportando de forma ativa nosso trabalho no exterior — tornando-se defensores de nosso trabalho e da cidade onde vivemos. É realmente encorajador saber que existem pessoas que se posicionam por nós e que convocam mais pessoas a apoiarem o trabalho missionário.”
“Se tornar o nosso braço direito no país natal. Algumas ideias incluem: ajudar a distribuir nossos informativos, planejar a parte logística quando estivermos de volta ou orientar grupos de visita ao campo de curto período.”

5. Faça visitas aos missionários com o propósito de servi-los e encorajá-los em seus ministérios.

“É muito bom ter um grupo de pessoas que venha ministrar a nós enquanto estamos ofertando nossas vidas para ajudar ao próximo. Isso pode acontecer em um pequeno acampamento com nosso time ou algo parecido, além de poderem vir orar enquanto andam pela cidade onde estamos.”

6. Envie a eles fotos e notícias suas e da sua família (seja por carta ou email).

“Seria especialmente agradável receber no final do ano notícias de nosso conhecidos ou algum cartão de Natal. Nós queremos continuar conectados a você! Nós adoramos saber sobre o que tem acontecido na sua vida e da sua família!”
“Se você tem amigos no exterior, mantenha contato com eles. Não deixe que a preocupação religiosa de ter conversas espirituais faça com que você deixe de ter conversas ‘não-espirituais’, seja sobre o cotidiano e as pequenas coisas do seu dia. Isso é algo que você faria (ou fazia) naturalmente se o encontrasse para um almoço. Às vezes, os emails ‘menos espirituais’ são os que mais ajudam, porque, de alguma forma, sinto que estou menos distante quando meus amigos falam comigo como sempre falaram antes de viajar. Compartilhe e fale sobre as coisas que têm acontecido ultimamente na sua família, escola, trabalho, futebol — qualquer coisa que você falava antes de seu amigo missionário ir para o exterior.”

7. Faça perguntas sobre o que eles estão fazendo

“Não pergunte apenas sobre como estamos, mas também sobre nosso trabalho… e tente saber tudo o que puder sobre as pessoas e a cidade com as quais estamos envolvidos.”
“Sei que já falei isso, mas um real interesse no nosso trabalho é a melhor maneira de nos encorajar.”

8. Continue sendo um amigo cristão e continue ministrando na vida do missionário.

“Não deixe de ser a nossa igreja quando estamos fora. Sempre que a segurança permitir, tenha conversas espirituais: elas fazem bem ao nosso coração. Missionários lutam com as mesmas questões pecaminosas que afligem cristãos em todo o mundo. Deixar seu lar para viver entre povos não-alcançados talvez seja um passo de fé no processo de santificação, mas não é um passo que enterra todos os pecados. É mais provável até que exponha e traga à tona todo o tipo de pecado que foi ‘esquecido’ ou não foi percebido anteriormente. Ter amigos que me conhecem, que têm paciência comigo e que sabem que ainda sou o mesmo pecador lutando contra essa natureza me ajuda a permanecer na humildade, quando tentado a me tornar arrogante ou cair em desespero.”
“Mesmo com um cuidado dos membros, é muito bom e importante receber cuidado pastoral do líder de nossa igreja. Muitas vezes ele é um conhecido pessoal e próximo do missionário, sabendo de sua história, podendo, assim, aconselhá-lo de maneira eficaz, além da nossa família e casamento.”
“Faça-nos aquelas perguntas difíceis. E pratique aconselhamento pastoral conosco.”
“Por favor, não nos coloque em um pedestal. Também somos pessoas normais, como você, que foram perdoadas da mesma maneira, mas que, por alguma razão, Deus chamou para vivermos nossos ministérios fora de nosso local de origem.”

9. Suporte-os financeiramente.

“Descobrir se temos alguma necessidade específica e responder a essa necessidade, buscando supri-la, é algo maravilhoso para nós.”

10. Procure encorajá-los quando estiverem em alguma missão ou tarefa em sua terra natal.

“Deixe-nos falar com você, sua congregação e pequenos grupos sobre nosso ministério. Queremos compartilhar sobre o que Deus tem feito ao redor do mundo e adoraríamos ter a oportunidade de falar sobre isso, podendo trazer atenção sobre o assunto e com muita esperança ganhar mais suporte em oração.
“Convide-nos para sair, para almoçarmos juntos ou jantar. Não precisa ser nada chique ou especial. Lembre que estivemos em lugares onde muitas vezes não conseguimos encontrar nem um arroz e feijão caseiro.”
Extra 
Nenhum missionário mencionou isso pra mim nos emails, mas eu sei que é uma benção quando alguém empresta sua casa de verão ou no campo para que um missionário e sua família possam aproveitar uns dias e relaxar em um lugar tranquilo.
“Fale pra gente sobre livros que precisam ser lidos. Conte-nos sobre recursos e fontes que podem beneficiar nosso crescimento pessoal e nosso trabalho ministerial, como conferências, treinamentos para líderes e ministros, entre outras coisas.”

* Texto de Mark Rogers, traduzido e adaptado do site “The Gospel Coalition” — http://www.thegospelcoalition.org/article/10-ways-to-encourage-a-missionary

11 de setembro de 2016

Complexo de culpa do missionário

A vida cristã é única em diversos sentidos. Quando fala-se de missões, romantizamos e idealizamos como seja viver essa vida. Esse texto é o relato pessoal de uma missionária que luta contra o complexo de culpa que sentimos quando não estamos “com a mão na massa”. É uma exposição do que sente a maioria dos missionários, um importante lembrete sobre o cuidado missionário, e uma reflexão importante a todo cristão, onde quer que esteja, o que quer que esteja fazendo.
“Eu estava morando em Uganda por 5 anos quando comecei a colocar em prática um plano para cuidar de mim mesma. Estava um pouco atrasada nesse projeto, mas mesmo assim já ajudava um pouco com o cansaço e estafa.
Naquela manhã, decidi que iria para o escritório duas horas mais tarde que o normal, para poder deitar um pouco no meu colchão de exercício e absorver as músicas de louvor que tocavam no meu computador. Isso fazia parte de um exercício que eu praticava para esvaziar a mente e ouvir a Deus sem me preocupar com as demandas que se acumulavam no meu escritório. Porém, no momento em que deitei e fechei meus olhos, e tentei focar minha mente em Deus, me senti culpada.
Me senti culpada por saber que existiam coisas mais importantes para fazer e serem resolvidas. Eu tinha uma newsletter para enviar, uma aula de discipulado para preparar, uma mulher que precisava de visita no hospital, uma questão para resolver na equipe. Eu me senti culpada por tirar um pequeno tempo para cuidar de mim. Me senti egoísta quando tanta gente precisava da minha ajuda.
Agora que tenho aconselhado missionários e voluntários transculturais, um dos temas recorrentes que continuam a aparecer em quase todas as conversas é essa questão do “complexo de culpa do missionário”.
Basicamente, a gente se sente culpado por tudo, o tempo todo. Culpa por não termos conseguido ajudar mais, culpa por não ter mais recursos para fazer um trabalho melhor, culpa por não vermos nossas famílias, culpa por nos permitirmos cuidar de nós mesmos por alguns minutos ou horas. A culpa parece estar incutida em nós.
Temos dificuldade em administrar todos os papéis que precisamos cumprir, como marido e esposa, pai e mãe, ser irmãos, amigos, filhos, diretor, auxiliadores. Assim, nos sentimos mal toda vez que tiramos um tempo para cuidar de nós mesmos. Alguns de nós nem sabem direito como fazer isso. A gente sente que devia estar fazendo outra coisa.
A culpa é um tirano cruel sempre exigindo que façamos mais.
Repetidamente, as mulheres me fazem as seguintes perguntas:
E se eu ficasse em casa e eu mesma ensinasse-as?
E se eu tirasse apenas um dia de folga para ficar com meu marido?
E se eu arranjasse um tempinho para malhar?
E se eu chegasse um pouco mais tarde no trabalho?
E se eu simplesmente fosse pra casa?
Isso seria o suficiente?
Mas o que estamos realmente perguntando é: “Será que eu seria suficiente?”
Uma das lições mais difíceis de aprender é que Deus não me ama menos se eu não conseguir fazer tudo. O amor de Deus não depende do que faço ou deixo de fazer. Ele não fica mais orgulhoso de mim se estou abraçando um órfão em vez de estar sentada no meu sofá. Ele me ama pois sou Sua filha.
Como uma perfeccionista em recuperação, entender isso foi essencial para minha cura. Assim como foi importante me dar a permissão de cuidar de mim e aprender que isso, na verdade, era algo que Deus quer eu faça, por mais que isso seja difícil.
“Ame ao próximo como a ti mesmo.” Como posso esperar ter compaixão pelos outros se não tenho compaixão por mim mesma? Se estou constantemente me punindo pelas coisas que não alcancei e deixei a desejar? Existe uma pergunta que preciso me fazer constantemente: “Eu trataria alguém dessa maneira? Exigiria tudo de alguém, até que não tivesse mais nada pra extrair dela, constantemente esperando mais dessa pessoa? Eu faria essa pessoa se sentir culpada todas as vezes que ela não conseguisse entregar aquilo que espero?”
Não, é claro que não. Então por que faço isso comigo?
A outra coisa que precisei entender é que se eu não cuidar de mim, me tornarei mais e mais desagradável, e precisarei de alguém que cuide de mim, já que eu não fiz isso. Isso claramente diminui minha capacidade de amar. Um dos maiores erros que cometemos em missões é que ensinamos as pessoas a morrerem para elas mesmas (Mt 16:25), mas não ensinamos a como viver em paz e alegria consigo mesmo.
Uma das maneiras para termos paz é por meio de uma “inteligência corporal”, prestando atenção aos sinais de nosso corpo e mente, uma vez que o estresse quebra nossa conexão com Deus. Ouvir a “inteligência corporal”, que ajuda você a perceber como o seu corpo está respondendo a certas situações, é uma boa maneira de ficar em contato com seu ‘interior’. Acredito que é aí que o Espírito Santo fala conosco.
Uma dica de como fazer isso: sente em uma posição confortável, feche seus olhos e inspire e expire profundamente algumas vezes. Você pode perguntar ao seu corpo o que ele realmente precisa. Se você está em um momento em que precisa tomar uma decisão, pense no panorama geral desse assunto, perceba as sensações no seu corpo: você sente um nó no estômago? Seus ombros ficam rígidos? Você range os dentes? Quando você pensa na próxima situação, quando tudo estiver resolvido, você sente seu corpo relaxando?
Aprender como seu corpo reage e mostra seus sinais é essencial para aprender a cuidar e tomar conta desse templo de Deus que Ele próprio nos deu.
Comece com algo pequeno hoje. Coloque para fora toda a culpa que você sente. Prometa a você mesmo que fará uma coisa, apenas uma, todo dia, para cuidar de você mesmo e que você não vai se sentir mal por causa disso. O exercício físico é uma das primeiras coisas que deixamos de fazer quando nos mudamos, seja por não nos sentirmos seguros na nova cidade, não conhecermos a região para caminhar ou correr, a falta de academia ou o preço alto delas.
Ainda assim, fazer exercício é uma das coisas mais benéficas que podemos fazer no cuidado de nós mesmos, pois liberamos endorfina, reduzimos o estresse e melhoramos nossa imunidade. Sei que não é fácil cuidar de nós mesmos nas condições extremas de trabalho que muitas vezes temos. Precisamos pensar em soluções criativas, como DVDs de exercícios, ir de bicicleta para o escritório, fazer exercícios de alongamento em casa, fazer longas caminhadas com os amigos.
Por último: a única maneira que conheço para se conectar com essa alegria é render-se. Renunciar à minha necessidade de ter controle sobre tudo, de salvar o mundo, de ter todas as respostas ou entender o motivo do sofrimento da humanidade. Abrir mão disso e voltar minha atenção ao meu eu-interior. Me jogar nos braços de Cristo e deixar o resto fluir.
Então, vá em frente. Eu estou dando permissão para você cuidar de você mesmo. É sério: está tudo bem fazer isso. É algo necessário para você.
O que é essa uma coisa que você pode fazer hoje para cuidar de você mesmo sem se sentir culpado?”
(Texto original em inglês: Letting Go Of The Missionary Guilty Complex, Sarita Hartz)

10 de setembro de 2016

Como um missionário se parece?

(*Texto traduzido e adaptado)
“O cara branco em uma van”. É assim que um amigo queniano respondeu à minha pergunta: “Como um missionário se parece?”. Até hoje, essa é uma das minhas definições preferidas. Uma adolescente, na mesma sala quando fiz essa pergunta, disse “Meu pai”, em um doce momento. “Meu pai de terno e gravata, no salão de entrada de uma igreja, mostrando fotos exóticas e hashis de comida japonesa.”
Eu conhecia o pai dela, um médico. E ele realmente era assim, aquele cara. Sempre agradável e amável, um verdadeiro discípulo do Mestre. Um “verdadeiro” missionário, a melhor definição que eu poderia dar para um missionário; seria ele. Diria até que ele tinha 10 dons espirituais, mesmo sendo citados 9 na Bíblia, pois ele era tão incrível que era capaz de desenvolver um dom do espírito revelado somente a ele. Ainda assim, a própria filha via-o “como missionário” apenas de dois em dois anos, justamente quando ele estava fora do ‘campo’, em seu país natal, falando sua língua mãe, entre outros cristãos.
Interessante isso, não? Como essa palavra “missionário” é carregada de significados.
Eu também tenho a minha definição para o que é ser “missionário”. Uma definição que não é aquela teologicamente polida e trabalhada, com uma consciência global e local, até étnica. Uma definição que não é aquela atualizada do século 21 que eu diria em um grupo pequeno apenas para ver a reação daqueles que têm um estereótipo ocidental empoeirado.
Não, eu também tenho meu estereótipo empoeirado, enraizado fundo em mim; e, por mais que eu goste de pensar que estou ‘em contato com a realidade’, eu preciso confessar: quando alguém fala de um “missionário”, eu tenho uma imagem que me vem à cabeça.
Eu talvez não diga qual é exatamente essa imagem, mas posso afirmar o seguinte: ele tem uma van.
Minha imagem de “missionário” tem uma origem antiga. Eu adorava quando os missionários vinham à minha igreja. As imagens traziam algo que me fazia imaginar e sonhar com lugares e pessoas distantes, como em uma dessas revistas da National Geographic. Eles sempre contavam histórias sobre ratos, cobras e pessoas que pareciam não conhecer muito sobre Jesus ou talheres.
Era o momento então de compartilharem como nós podíamos apoiá-los (financeiramente e em oração). Os diáconos passavam novamente a sacola (pela segunda vez no culto) e nós ofertávamos a quantia que Deus colocasse em nossos corações. Havia uma fórmula para a coisa toda, que sempre acabava com a mesma fala: “Você não precisa se mudar para um outro país para ser um missionários. Somos todos missionários”.
Então eu saia confuso dali.
Entenda, é uma excelente maneira. Porém, os únicos que falavam isso eram os que, na verdade, tinham se mudado para um outro país. Ou era um domingo de missões, e aí o pastor falava em nome daqueles que tinham se mudado para outro país.
Para mim, a mensagem era clara como lama: “você é também um missionário, não importa onde esteja; mas a gente só vai falar isso em voz alta quando você se mudar. Ou melhor, vamos falar que você é missionário quando os que estão longe vierem visitar, aí diremos que somos todos missionários… só um pouco diferentes”.
Como os parâmetros para “ser missionário” não eram claros, eu baseei meu entendimento na compilação do que as pessoas juntavam para dizer “Esse é um missionário”.
E você também fez isso.
Por isso, eu pergunto: qual a imagem que você forma quando pensa em um “missionário”? Responda com honestidade.De onde eles são? Como eles se parecem? O que estão vestindo? Quantos anos têm? O que eles fazem? Qual a cor da pele deles?
Não se preocupe, esse não é um post para apontar falhas. (Seria como dizer: “Que absurdo você pensar que missionários se parecem com aqueles que você viu anteriormente”.) Pelo contrário, eu aprendi a olhar para meus estereótipos com carinho. É a partir deles que posso começar uma nova ideia; inclusive chegar à chocante conclusão que os estereótipos das outras pessoas a respeito de um missionários são diferentes dos meus.
As outras pessoas têm suas próprias imagens de missionários. Você tem sua própria imagem também. Quando colocamos todas essas imagens uma ao lado da outra, temos uma visão geral e mais clara do todo. Paradigmas começam a desmoronar, suposições são desafiadas, estereótipos são quebradas. Horizontes são expandidos.
Mais do que uma explicação aprofundada em uma definição bíblica (ironicamente, a palavra “missionário” não é citada nenhuma vez na Bíblia), é essa conversa que muda a imagem que temos dos “missionários”. A conversa é o local onde começamos a ver Deus fazendo coisas que só Deus pode fazer.
Coisas como enviar filipinos como guardadores de crianças da realeza no Oriente Médio
e educadores chineses amarem e cuidarem de órfãos norte-coreanos
e professores do Panamá darem aula em uma escola cristã internacional na Jordânia
e professores alemães ensinarem em uma escola cristã no Suriname
e pastores coreanos plantarem igrejas no Brasil
e profissionais brasileiros dirigirem empresas cristãs no Vietnã
e estudantes de Uganda começarem estudos bíblicos em universidades  na Tailândia
e um médico com 10 frutos do espírito mostrando hashis nos EUA
e, claro, homens brancos no Quênia… e suas vans.
É um mosaico lindo e incrível que ganha vida justamente quando conversamos e falamos sobre isso. É nesse local de conversa que também encontramos as coisas difíceis, coisas que geralmente discordamos. Coisas como teologia, filosofia, estratégia, semântica e definições missionárias.
Um missionário é quem levanta sustento? Ou é quem planta igreja? Ou é quem vive de seu ofício (fazedores de tentas)? Ou quem dirige uma empresa?
Missionário é o que trabalha povos não-alcançados? Ou com os mais necessitados? Ou é aquele que atua na janela 10/40? Ou são os que trabalham com a igreja sofredora? Missões de curto-período contam? E quem é professor? Ou profissional? Ou servo? E refugiados? Ou escravos?
E aquelas pessoas que nunca deixaram sua cidade?Elas são missionárias?
Cuidado, pois essa é uma pergunta carregada de definições.Mas a resposta para todas essas perguntas reside em uma questão: elas estão onde vemos Deus fazendo coisas que só Deus pode fazer.
Então… como um missionário se parece para você?
Não pense, apenas responda: quando você lê a palavra “MISSIONÁRIO”, qual é a imagem que aprece imediatamente na sua cabeça, e de onde ela vem?Sem julgamento. Vá em frente, e se arrisque a responder. É um rico mosaico quando praticamos isso.
(*Texto original: “What does a missionary look like?“)

24 de agosto de 2016

Arnie, você me ama?

  Essa não é a primeira vez que escuto essa pergunta. 
  Quase todas as manhãs, Mercy pergunta a Arnie se ele a ama. 
  Mercy e Arnie são duas crianças tailandesas, são amigos e estudam juntos. E quase todos os dias ela pergunta novamente se ele a ama. Essa pergunta me fez pensar. Tocou o meu coração. Talvez ela pergunte, porque não tem certeza, já que muitas vezes Arnie prefere brincar com a sua irmã gêmea. Talvez ela pergunte, porque gosta de ouvir ele dizer que sim. Talvez ela pergunte, porque tem necessidade de se sentir amada e querida. Talvez pergunte por perguntar... Mas, a pergunta constante acabou mexendo comigo.

  Lembrei de Jesus e Pedro. Jesus o perguntou 3 vezes:
"-Pedro, você me ama?"
  A mesma pergunta 3 vezes. E depois da resposta, o mesmo pedido 3 vezes:
"-Apascenta as minhas ovelhas."

  Deus realmente ministrou meu coração através da pergunta de Mercy.
  Estar em missões em tempo integral é desafiador. Estar em uma nação com cultura totalmente diferente da sua, pode ser um choque. Deixar todos que você ama, pegar uma mala e colocar apenas o que cabe dentro e partir, é uma decisão dura. É preciso você amar Aquele que te convida muito mais que a sua família, amigos, comida, idioma, cultura... Mas isso não é tudo! Depois de aceitar o convite e partir, tem o desafio de continuar no lugar que Deus te quer. E para continuar, você precisa continuar com os seus olhos e coração somente Nele! 
  Acho que Mercy se parece com Jesus quando insiste na mesma pergunta:
"-Você me ama?"
  E o pedido Dele para mim continua sendo o mesmo:

"-Continua. Fala quem Eu Sou para os que não Me conhecem ainda. Ame as pessoas. Se entregue nessa missão tão linda de Me fazer conhecido entre todas as tribos, todos os povos e línguas. Se você Me ama, pregue o evangelho!"

Vou finalizar com o mesmo convite que Jesus fez a Pedro (em João 21.19 c) e a mim:

"Então Jesus disse: -Venha comigo!"

O que falta para você amá-Lo mais que a tudo e se render ao propósito que Ele tem para sua vida? Você O ama?




10 de junho de 2016

Família de coração

  Passar o aniversário longe da família e amigos, pode ser muito desanimado.
  Aqui no vilarejo tenho pouquíssimos amigos, nenhum parente, então nem programei nada em especial para o meu aniversário. Eu pensei que iria ser uma dia normal para mim, mas me enganei...

  Ao acordar, começaram as surpresas, e a primeira foi da missionária que mora comigo. Além de tudo, no cartão que escreveu, ela me agradeceu por ser como uma irmã para ela, já que a única irmã que ela tem está nas Filipinas... Depois, as missionárias da África do Sul junto com suas filhinhas adotivas, me levaram para um lugar com uma vista sensacional para comer sobremesas e bebidas típicas tailandesas. Além da companhia e os presentes que recebi, elas me adotaram como alguém da família (uma falou que é a minha mãe, a outra a minha avó, e as gêmeas são minhas irmãs menores).  Ao chegar em casa, ainda tive bolo surpresa na minha cor favorita feito pelas crianças aqui do ministério.
  Foi de fato um dia surpreendente! Não foi um dia normal, foi um dia especial, e Deus me trouxe à memoria algo que Ele falou para mim durante um evangelismo no sertão da Paraíba, há um ano e meio atrás:

"-Eu vou tirar você da sua parentela e levar para uma terra distante, mas como recompensa vou lhe dar muitos irmãos, mães e pais lá..."


  Vejo o cuidado do Senhor em não me deixar sozinha. Eu estou cercada por Sua presença todos os segundos da minha vida e também rodeada de pessoas que me amam e têm sido uma família para mim aqui na Tailândia. O que sentir além de gratidão?


"Jesus respondeu: -Eu afirmo a vocês que isto é verdade: 
aquele que, por causa de mim e do evangelho, 
deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou 
terras receberá muito mais, ainda nesta vida. 
Receberá cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães..." 
(Marcos 10. 29-30)

O papel do Missionário

Texto traduzido e adaptado*
Eu sempre quis ser aquela pessoa de camiseta laranja, escrito: “Voluntário”. Ou a camiseta cinza ou azul da ONU. Cada organização, eu queria uma cor de camiseta diferente.
Eu sempre quis ser a pessoa ali no chão, no campo, entregando água potável às vítimas de um tsunami, distribuindo sacos de arroz para pessoas famintas ou segurando a mão de um órfão que chora a perda da mãe. Eu sempre quis SER realmente as mãos e os pés de Cristo em um mundo que sofre, mais literalmente do que de forma figurada.
Nas trincheiras. Com as mãos sujas de terra.
Erguendo minha própria espada contra a injustiça do mundo. Abraçando com meus próprios braços as crianças esquecidas.
Porém, temos vivido do Sudeste Asiático por aproximadamente um ano. Meu marido e eu temos entendido que por termos nascido como ocidentais com dinheiro e estudos, talvez nunca venhamos a usar uma dessas camisetas que mostram os voluntários das organizações em contato com o povo de um local onde as pessoas estão sofrendo.
Por que, honestamente, as pessoas locais estão mais preparadas a serem as mãos e os pés de Jesus em suas próprias culturas do que eu, uma americana e missionária há um ano. Eles falam a língua local, vivem realidades próximas e possuem um conhecimento intrínseco da cultura que meu entendimento ocidental nunca vai conseguir compreender inteiramente. Assim, as pessoas igreja local são, naturalmente, as melhores pessoas a vestirem essas camisetas.
E isso é algo difícil para eu aceitar.
Por que, de repente, meu papel acaba sendo muito mais de “por trás das cortinas” do que algo na linha de frente, óbvio e claro. E isso causa conflitos porque programar sites em frente a um computador não parece tão inspirador. Levantar sustento para uma organização escrevendo emails não parece tão emocionante, e administrar as finanças de um orçamento com certeza não se equiparam a resgatar uma criança. Ainda assim, essas habilidades, por mais sem glamour ou sem importância que pareçam, elas são umas das únicas que eu e meu marido podemos oferecer.
Na semana passada, li sobre a batalha que o povo de Israel teve a caminho da Terra Prometida (Êxodo 17). Era Josué que estava nas trincheiras desembainhando espada, mas era Moisés que estava no alto do vale com seus braços levantados, garantindo a vitória sobre a batalha abaixo dele. Mas existem ainda dois outros homens, menos lembrados que Moisés ou Josué, Arão e Hur, que literalmente ajudaram Moisés a manter seus braços erguidos — ambos levantados acima da cabeça, um dia inteiro.
E isso me impressionou pessoalmente, porque meu marido e eu viemos para o campo achando que seríamos Josué, o cara com a camiseta da organização, os soldados na linha de frente.
Mas a verdade é que, de diversas maneiras, nós fomos mais necessários como Arão e Hur: servindo de maneira pouco ‘emocionante’, silenciosa e discreta, segurando os braços cansados de algum cristão local.
Acredito que o motivo dessa ideia ter me incomodado nos últimos meses é porque vim para o Sudeste Asiático com um pouco daquele “complexo de herói” ou “complexo de Salvador”. Eu cruzei os oceanos porque assumi a ideia de que eu tinha as respostas, as habilidades e recursos que essas pessoas precisavam.
Mas eu estava errada.
E agora me pego pensando em quanto o meu ministério foi motivado por uma ambição interesseira, pensando em quanto o meu “amor ao próximo” foi envolvido por uma expectativa dramática de emoção e romantismo.
E isso é difícil de admitir. É difícil admitir que eu talvez tenha servido com um interesse pessoal. E, humildemente, ainda acredito que isso acontece. Porque o amor verdadeiro pelos órfãos não se importa com cargos, reconhecimento ou emoção. E porque o cuidado verdadeiro pelos mais desfavorecidos não tem interesse em tapinhas nas costas ou a cor da camiseta que você usa.
* Laura Parker é missionária e escreveu o texto “O cara de camisa laranja
(foto: ONU/Eskinder Debebe)

23 de maio de 2016

Cuidando dos filhos Deles (II)

  Entrei no meu quarto correndo, me sentindo angustiada e me agarrei ao travesseiro. Me peguei chorando porque meu coração foi tocado pelos órfãos... Lembrei de mim mesma!
Fui sarada para sarar outros

  Nasci em um lar cristão, por isso sempre foi comum para mim ouvir que Deus também é um Pai, mas somente com 22 anos de idade foi que eu entendi e recebi minha identidade como Filha.
  Acredito que a coisa mais dolorosa que já ouvi da parte de Deus foi: "-Você não age como filha, você não sabe ser filha." Fiquei chocada com aquilo! Como assim eu não sei ser filha? E entre um turbilhão de pensamentos confusos, Deus começou a cuidar de mim e pouco a pouco eu comecei a concordar com o Senhor quando analisei diversas situações onde Ele não tinha espaço na minha vida... Eu não confiava que Ele poderia cuidar de mim e proteger em situações de risco, embora Ele sempre o fizesse eu continuava desconfiando.
  Eu não conseguia vê-Lo como provedor, porque sempre fui muito independente e passar a depender Dele ainda é algo muito desafiador para mim. Eu não conseguia me sentir mimada e amada ou me sentir segura de que NUNCA seria abandonada. Descobri que muitas vezes minha obediência era por medo de afastá-Lo de mim, e por fim, descobri que não conseguia O chamar de Pai...Tudo sequelas da orfandade! Eu era parte Dele, mas não me sentia como. Não ter tido o amor do meu pai durante toda a minha vida, me fez ter dificuldades para me sentir amada, especialmente por Deus.
  Começou o processo de cirurgia na alma e foi muito doloroso! Me descobrir, começar a acreditar e confiar Nele, aprender a ser filha. Lembro do dia que orei entregando meu coração dizendo que eu queria aprender a agir e ser Filha, e daí começou uma grande mudança na minha vida, como um treinamento. Pela primeira vez em toda minha vida, eu senti as várias facetas do Pai que cuida, que protege, que mima, ama incondicionalmente e NUNCA, nunca me deixa sozinha e não me abandonará jamais. Ainda lembro dos anos que fui órfã, mas não me dói mais; eu encontrei meu Lar e meu Pai, e hoje tenho um nome!

Fragilidade x Rebeldia= Eles só querem receber amor

  Agora estou convivendo e cuidando de muitas crianças órfãs na Tailândia, e como tem sido desafiador! Tenho lembrado muito do Abrigo em Manaus(Brasil), e das crianças de lá. Algumas abertas para dar e receber carinho, outras nem um pouco. Lembro de um garoto que se aproximou de mim no meio do culto na base missionária, e ele não falava comigo, não me olhava, não me permitia sequer passar a mão em seu cabelo, apenas estava ao meu lado, e às vezes esbarrava em mim de propósito e com grosseria. Eu apenas fiquei lendo os sinais que ele me enviava, e na verdade ele queria amor e carinho, só não sabia como receber, e talvez o medo de ser rejeitado o fazia agir daquela maneira, mas no final eu ganhei um abraço rápido e meio bruto... São características próprias de órfãos: se apegar demais quase que implorando amor, necessitar de muita atenção, alguns agem de maneira mais ousada quando se permitem ser tocados, abusados, só pra se sentir desejados por alguém. Outros agem totalmente no extremo da rebeldia, não sabem ser submissos, amáveis, e assim como não sabem ser, não sabem receber amor também, mas na verdade é tudo medo de rejeição.
  Aqui não é diferente, as crianças têm essas características também, e muitas vezes é muito contraditório, difícil de entender por que alguém que apenas deseja amar e se sentir amado não consegue...Mais uma vez lembro de mim, e de todas as vezes que eu errei por não saber como demonstrar amor. Lembrei do longo tempo que levei até deixar o meu coração ser completamente inundado pelo amor e paternidade de Deus, e assim como muitas pessoas usadas por Deus para me ajudar e investir tempo na minha vida com toda a paciência, tenho feito também, e por mais difícil que pareça ser lidar com órfãos, eu sei que das minhas feridas podem sair poder para curar aqueles que necessitam ter um encontro de Pai com filho.
Aqueles que mais tem dificuldades para amar, são os que mais precisam de amor!