15 de agosto de 2017

Vida missionária e a Solidão

  Uma vez ouvi uma pregação que dizia: "Se você quer viver seu ministério, aprenda a lidar com a solidão.", e confesso que somente após alguns anos é que eu vim entender o sentido dessa frase.

  Ser um missionário é de fato desafiador, mas ser um missionário em outras nações é muito mais e por mais que eu ouvisse e me preparasse para isso, nada é como sentir na pele todos os desafios de missões transculturais.
  Antes de tudo quero deixar claro que sim, eu fui chamada para as nações, amo novas culturas, tenho uma certa facilidade de adaptação e tenho muito mais para agradecer que qualquer outra coisa. Não estou reclamando, pois Deus tem sido fiel nos mínimos detalhes e derramado Sua graça para eu estar onde estou e fazer o que faço, mas também é verdade que solidão é um fator presente.

  Solidão emocional e espiritual

  Primeiro, por mais que você aprenda a língua da nação que você está, e se vista com roupas típicas e coma qualquer tipo de comida, ou até mesmo por mais que você se sinta tão confortável ao ponto de chamar seu campo missionário de "casa", esse não é o seu lugar de origem. Todas as suas memórias vêm de longe, o contato com a sua família será limitado a horários e uma tela de celular ou computador. Você tentará cozinhar o sabor do que é familiar pra você, mas sempre falta aqueles ingredientes impossíveis de encontrar em outros continentes e faltará também o aconchego da família reunida num domingo. Você fará novos e muitos amigos, mas por tantas diferenças culturais às vezes você se sentirá incompreendido. Por tantas vezes sua mente ficará cansada e tudo o que você vai querer é falar sua língua materna, ter o ombro dos seus amigos de infância, abraçar as pessoas mais importantes da sua vida, estar presente nas datas especiais, e muitas vezes você desejará ter o dom de se teletransportar só para matar a saudade. Confesso que às vezes evito falar sobre o que sinto com os que deixei no Brasil simplesmente por não querer fazê-los sentir mais saudade ainda e acabar se preocupando comigo. Não é fácil.

  Também é difícil sentir que estamos sendo esquecidos... Conheço muitos missionários de diferentes países, e apesar de nossas diferenças temos algo em comum: sentimos falta da nossa igreja local. Enviar um missionário é muito mais que levantar ofertas! Enviar um missionário é se comprometer que independente da nação que esse missionário estará, ele será cuidado, mas na maior parte do tempo nos sentimos como ovelhas sem pastor e sem rebanho. É preciso entender que um missionário enviado para algum lugar, não estará se desligando da igreja local, pelo contrário, estará somando, então por que acontece de sermos enviados e raramente continuarmos sendo pastoreados? Por que somos esquecidos por nossa igreja no momento que mais precisamos?
E os missionários solteiros espalhados pelo mundo? Nós também temos sonhos de construir uma família, ter alguém para segurar a mão e continuar a caminhada. Para os solteiros eu diria que a solidão ainda é um pouco maior, pois nos sentimos sozinhos no mundo em todos os sentidos. Na maioria das vezes o missionário é solteiro por falta de opção mesmo, por viver no meio de um povo não-cristão, barreiras com o idioma, ou mesmo tantas missionárias que vivem em lugares de risco e culturas opressivas que as fazem sentir desprotegidas e vulneráveis, pois em muitas culturas é mais difícil para as mulheres missionárias.

  São tantos dilemas, conflitos internos, coração dividido entre os que deixamos para trás e os não-alcançados, incluindo alguns medos e inseguranças, mas também muitas surpresas boas pelo caminho. Deus é aquele que nunca nos deixa, Ele é Emanuel-Deus conosco e o que nos sustenta em todos os aspectos dessa vida missionária. Aquele que nos traz paz e consolo quando as lágrimas vêm, assim como nos renova quando as forças se vão. Por isso, outra vez digo que tenho muito mais para agradecer que qualquer outra coisa! Se eu não obedecesse ao chamado jamais teria conhecido as pessoas que conheci e vivido tantas experiências inesquecíveis. Cresci, amadureci, tive meu coração roubado por vidas que encontrei pelo caminho, fui transformada.
Nem sei se esse texto é um desabafo ou um incentivo para dois grupos de pessoas: Os que vão e os que ficam.

1. Os que vão- Para você que tem chamado missionário, para os que já estão no campo ou para os que ainda irão eu só posso dizer que vale muito a pena viver os sonhos de Deus. Ser missionário é um privilégio e exige muita coragem, mas o mesmo que nos chamou irá cuidar de tudo que diz respeito a nós e cumprir exatamente todos os Seus planos em nossas vidas. Também nos ajudará a lidar com a solidão derramando Sua graça sobre nós. Quando cansar e se sentir tão sozinho não esqueça que Ele está presente e é a fonte inesgotável de graça que jamais te esquece.

2. Os que ficam- A família, os amigos e a igreja eu peço que não esqueçam os seus missionários. Demonstrem mais o quanto vocês se importam e ajude-os a segurar a barra que não é fácil. Muitas vezes eles vão lhe contar novidades sobre o que estão fazendo em missões, mas dificilmente irão te contar como se sentem pessoalmente, então essa é a hora de você demonstrar que ele não está sozinho. Sabemos que não é fácil para vocês também, mas enquanto você doa suas orações e ofertas financeiras, nós, missionários, doamos nossas vidas por inteiro. Encoraje mais, procure mais, se importe mais, lembre mais, pergunte e escute mais. Faça uma ligação via internet, envie palavras de ânimo, abrace nossa causa. Cuide dos seus missionários que continuam sendo parte do Corpo de Cristo. Não nos deixe tão sozinhos, mas ajude-nos a suportar a solidão.




27 de julho de 2017

QUANTO TEMPO LEVA PARA DISCIPULAR UMA NAÇÃO?

  Pera lá. Quantos anos de vida possuímos? Nos meus quarentinha (e um!) vejo que já 18 anos se passaram desde que saí do Brasil para a Ásia Central. Os melhores da minha vida. O cara sai de uma equipe de evangelismo do Rio para um sonho de ver um Afeganistão transformado. Mas como assim? O que isso significa? Transformado? Naquela época eu só conhecia a palavra “impactado”. A ideia de um reino moldado na terra por valores que se traduzem em realidade, de maneira incorruptível e eternamente duradouro, não me alcançava ainda.

  É interessante uma comparação que penso, há anos, no que diz respeito ao entendimento do meu entendimento enquanto brasileiro sobre a missão transformacional. Uma vez me vi numa sala de aula estudando com outros alunos de países sem a tradição protestante que outros como muitos da América do Norte e Europa têm. Estávamos cursando um mestrado da Universidade das Nações e debatendo o último livro do Vishal Mangalwadi, “O Livro que Fez o seu Mundo: Como a Bíblia criou a Alma da Civilização Ocidental”. O material contém muitos exemplos de como nações a partir da época de Lutero, que possuíram a Bíblia traduzida para a língua do seu povo, começaram a aplicar e transformar suas instituições gerando incrível desenvolvimento humano. Debatíamos e apreciávamos a história, até que nos surpreendemos pelo fato de que nenhum de nós tinha visto até hoje, nos nossos próprios países, a realidade do que significava uma nação transformada.
  Muitos ali tinham saído das ilhas do Pacífico e América Latina, onde apesar de terem passado por incrível avivamento missionário, continuavam com seus países infestados de pobreza e iniquidade. Ainda assim, ali todos éramos missionários chamados por Deus e comprometidos a construir o reino de Deus em nações não alcançadas, que apesar de invisível se expressa visível, mas que nós mesmos não entendíamos como trazer à realidade, sem possuir o exemplo de nossos próprios países.
  Não é verdade que os países desenvolvidos do mundo sejam a mais pura evidência do que é o Reino de Deus. Porém, é verdade que os países de origem protestante, e isso é fato, criaram sistemas diferentes valorizando a vida humana de tal forma que hoje todos possuem altos índices de desenvolvimento humano. E que esses países possuem uma tradição missionária de séculos, onde pessoas como William Carey saíam com ardor e entendiam que valorizar o indivíduo num sistema de vida e cultura pagão significava montar uma fábrica nova na sociedade geradora de ondas transformacionais que seriam capazes de refletir então o próprio céu na terra. E para onde iam começavam projetos com uma longevidade tal que lhes era necessário entregar todos os anos de suas vidas. Visões como a implantação de universidades, construção de hospitais, fundação de meios de mídia, tradução das Escrituras e o desenvolvimento de outros setores diversos da sociedade que vinham a modificar comportamento e alterar cultura.
  Quando cheguei na Ásia Central no final dos anos ’90 pela primeira vez, uma sensação interessante de me sentir em casa tomava conta de mim. Eu havia ido morar no Uzbequistão para aprender a língua e me mudar então para o norte do Afeganistão, onde moravam cerca de 2 milhões de uzbeques que jamais haviam ouvido da Bíblia.
  O Uzbequistão, como o Tadjiquistão e a maioria dos países da nossa região, é uma nação fechada, pós-soviética onde suas milhões de pessoas haviam recentemente se libertado do regime totalitário implantado por Lênin e Stalin há mais de 70 anos. Seu povo é relacional, tradicionalmente religioso e pacífico. O seu presidente é até hoje respeitado como alguém que foi contra a ditadura soviética, bradando independência e liderando a transição da criação de sua nova nação. Me lembrava do PT e de outros partidos do qual participei dos comícios desde a minha infância, ouvindo de todos que lutaram contra a ditadura militar e que trouxeram ao país o movimento das Diretas Já.
  Eu vejo hoje que o meu país, assim como outros sul-americanos, é muito semelhante aos países da Ásia Central. Os altíssimos impostos, o controle da economia, a manipulação da política, o populismo de nossos líderes, a decadência da saúde e educação e o enorme estado que facilita tanto a imensa corrupção. Me parece que se tivesse que me referir ao meu país, como os colegas americanos e ingleses e alemães fazem, como exemplo do que o deles deveria se parecer, não teria a mínima chance. Na Ásia Central eles ganham de mil ainda de nós no setor segurança, onde não há sequer crime nas ruas. Hoje, alguns de nós brasileiros nos encontramos ameaçados de não voltar ao país se formos ao Brasil, porque eles pensam que irão contrair zika se nos permitirem em seus países.
  A que posso me referir para trazer transformação aos setores da sociedade de outros países? Que presunção é a minha de achar que posso sonhar em consertar o país dos outros enquanto o meu anda tão desconstituído? Seria eu impossibilitado de discipular as nações?
  É verdade que não possuímos uma matriz a que nos referir. Afinal, nosso país tem sido sempre e é até hoje uma colônia de exploração de commodities, onde hoje nós brasileiros somos os colonos. Isso porque nunca paramos para fundar uma nação com os valores do reino, de maneira totalmente atruísta. A igreja ainda não gerou líderes governamentais com chamado para construir um legado de nação política que reflita o céu na terra. Temos feito isso de maneira indireta, à medida que a igreja se multiplica. E muitas vezes nos contentamos com isso. Porém, salvo em alguns poucos quesitos, o Brasil não é modelo para replicarmos fora. Mas será que isso importa?
“E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído [discipulado] acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.” Mateus 13:52
  Digamos que, como é o caso de muitos, como foi o meu, nós tenhamos que começar uma família sem entender muito o que família significa. Nós geralmente buscamos alguém que respeitamos como pai/mãe de família e fazemos várias perguntas, nos aconselhamos e damos início na prática à nossa própria família. A graça de Deus manifesta o poder do evangelho na nossa história nos fazendo completamente livres. Em Tito 2:11, vemos que a graça tem poder soteriológico (de salvação) mas também pedagógico (de educação). Por isso, possuímos, nesse processo de sermos discípulos, instrução que nos dá o poder de constituir novas gerações com uma cosmovisão completamente diferente da de quando éramos do mundo. Então agora nos encontramos como pais de família. Assim como um dia aconteceu com Abraão.
  Abraão se tornou o pai de uma nação através da qual todas as famílias da terra seriam abençoadas. Famílias. Eu posso analisar as atuais diferenças do Brasil com o mundo o quanto eu quiser, e sempre me sentir incapaz de montar uma nação transformada baseado naquilo que eu sei de desenvolvimento. Mas de uma coisa fomos todos feitos capazes. Gerar família. Eu posso sonhar o quanto eu quiser com a transformação do Afeganistão, mas enquanto eu não formar uma família, me casando com a terra e gerando nela filhos, eu não conseguirei perpetuar a vida do Reino naquele lugar.
  Para se discipular nações é necessário ir em busca de filhos e filhas em quem você irá entregar todos os seus anos, trazendo à vida, alimentando, vigiando, pagando, dispostos a tudo para buscar o melhor, compartilhando com eles o nosso tesouro, as pérolas que obtemos do Senhor, antigas e novas. Mesmo quando eles andarem em busca da herança que o Pai celestial tem para eles. Sempre os promovendo, acolhendo, buscando, e ensinando a fazer o mesmo, entregando os nossos anos no altar do Senhor como oferta agradável para vê-los fazer coisas maiores que nós. Sei que valerá a pena, e será a chave para ver a história alterada. Essa micro-nação chamada família será a matriz na qual iremos nos basear para buscar a transformação do lugar para onde formos e de todo o mundo. E quanto mais filhos que geram filhos, mais rapidamente veremos que “o reino deste mundo se tornou no reino do Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos.” (Ap. 11:15)
  E quanto tempo isso levará? Pergunta pro seu pai e sua mãe!



Fonte: http://www.jocum.org.br/quanto-tempo-leva-para-discipular-uma-nacao/



14 de julho de 2017

Sobre um dia especial!

Esse é meu segundo aniversário longe da minha
família e longe do Brasil...
(Postagem referente a 8 de junho)

  Nesses dias especiais a saudade aumenta e nada se compara como passar o seu dia com a sua família e amigos mais antigos, mas mesmo em meio a distância e saudade, Deus continua me surpreendendo.
  Primeiramente, a promessa de que em terra estranha Ele traria pessoas para minha vida que seriam como família, continua a se cumprir dia após dia, e vejo o cuidado de Deus através dessas pessoas que me amam, se importam e cuidam de mim de forma tão especial.
  Segundo, o meu Pai gosta de mimar os Seus filhos, especialmente em dias especiais! Ele sabe que amo chuva, e me fez acordar feliz hoje enviando a chuva... Depois, em apenas 1 hora meu dia se encheu de planos e celebrações e presentes e pessoas e etc. Gosto disso, ser surpreendida por um Pai que sempre vai arrancar meus sorrisos!
  Terceiro, e na verdade a razão de estar escrevendo essa postagem, hoje é o dia em que eu estou celebrando a Vida!

  Quando eu era adolescente, durante uma fase muito difícil eu desejei morrer por diversas vezes. Tinha tido muitos problemas, situações diversas que me feriram intencionalmente e eu entrei em um estado de depressão, perdi o sentido e o gosto de viver, e lembro que minhas orações sempre eram um pedido para que Deus tirasse a minha vida. Assim foi por algum tempo, na verdade alguns anos, e todos os meus pensamentos eram sombrios, não tinham vida, até que eu tive um encontro com Ele face a face e me permiti ser acolhida e tratada por um Deus que é a fonte de Vida. Passei por um lento e árduo processo, mas que resultou em transformação. A menina depressiva e que queria morrer, realmente morreu. Deus me trouxe vida e vida com abundância! Eu mudei e desejo viver muitos anos! Hoje, celebro cada aniversário como o dia mais especial onde Ele me criou.
Outra prova que me faz perceber o quanto fui transformada, é que a maioria das pessoas ao meu redor me falam que admiram a minha alegria. Foi gerado um fruto do Espírito em minha vida, foi devolvido a mim o sentido e razão de existir, e tudo isso veio com abundância para que se transformasse em testemunho. Hoje eu só quero celebrar!
João 10:10

Detalhe: o meu nome chinês é Alegria 喜悅



21 de maio de 2017

De volta para casa

Certas situações você preferiria não vivenciar nunca, mas elas estão diante de nós e não há como evitar, assim como também não há como esquecer.

  Durante a maior parte da minha vida não tive nenhum contato próximo com a morte: nunca tinha visto ninguém morrer ou tampouco perdido alguém, até começar a estudar enfermagem e tudo mudar...
  Vi jovens e idosos partirem, e também vi milagres mesmo quando a medicina já tinha cortado qualquer fio de esperança. Vi pessoas lutarem pela vida enquanto outras desistiam. Ouvi muitas vezes o monitor cardíaco parar, mas ver pessoas morrerem nunca será algo comum para mim, e se torna mais doloroso ainda quando há apego. 

  Vim para Tailândia destinada a cuidar de pacientes HIV+, mas na realidade eu não tinha noção do quanto seria árduo essa escolha.
  Eu a vi chegando numa cadeira de rodas, tão debilitada, tão magrinha e tão jovem! Pla (nome fictício), tinha um rosto bonito e era vaidosa, e duas semanas foram o suficiente para amá-la e conhecê-la mais. Foram duas semanas que marcaram a minha vida para sempre! 
  Eu dei o melhor enquanto cuidei dela e emprestei toda a minha dedicação mesmo quando não falávamos a mesma língua. A vi sofrer muito entre os seus 9 diagnósticos e eu sofria junto por não poder aliviar sua dor, mas também lembro com doçura às vezes em que ela segurava a minha mão e sorria, ou quando eu acabava algum procedimento e ela juntava as mãozinhas e fazia o sinal de agradecimento. Desenhou florzinhas e corações como forma de me presentear e também vi seus olhinhos asiáticos encherem d'água enquanto cuidava dela. 

  Vi o desejo de Pla de continuar viva e concluir seus sonhos e planos, mas o fato é que ela estava morrendo aos poucos, e eu sabia que não me restava muito tempo e eu não podia deixá-la partir sem conhecer o verdadeiro caminho de volta pra casa: Jesus! Cinco dias antes de sua morte, esperei ela terminar de jantar e com a ajuda de uma tradutora comecei a falar de Jesus. Ela estava cansada, sem energia naquele dia, mas estava totalmente consciente, e falou que não conhecia Jesus. Eu O apresentei a Pla e falei de Seu amor, Seu perdão, Seu sacrifício e perguntei se ela queria Jesus em sua vida e se um dia gostaria de ir morar com Ele, e ela muito convicta me falou que gostaria, mas que não tinha dinheiro para isso. Fiquei surpresa com aquela resposta! Explicamos para ela que não necessitava de dinheiro, apenas que ela cresse em Jesus o filho de Deus, e então, aliviada por não precisar pagar, ela falou que queria sim e então oramos juntas, e Pla estava tão consciente do que se passava que juntou as mãozinhas em sinal de reverência e fechou os olhos... Eu orei por ela tão emocionada e feliz em saber que poderia acontecer qualquer coisa a partir dali, mas sua alma estaria salva.

  Pla se foi, mas teve pessoas que se importaram e a receberam de braços abertos durante seus últimos dias, já não estava mais abandonada. Se foi com dignidade eu posso dizer, e a única coisa que me alegra é que eu cumpri minha missão quando a ajudei a encontrar o seu caminho de volta para casa, de volta para o Pai.


9 de maio de 2017

Sou transformada enquanto amo

  Sim, o AMOR transforma!
  Começa na vertical, no seu relacionamento de amor com Deus, e então você aprende com Ele como amar as pessoas ao seu redor. Eu já tive muita dificuldade em me sentir amada e também em como demonstrar amor, e foi conhecendo melhor o caráter de Jesus que esse fruto foi plantado em mim.
  Jesus era gentil, doce, sábio, bondoso, amava crianças, conversar com pessoas, estar perto dos Seus amigos, tinha um coração misericordioso, e andando com Jesus eu percebi que precisava e queria me parecer com Ele.
  Nessa caminhada em missões não há outro caminho: é amar ou cair fora. Primeiro porque preciso amar mais a Deus do que o conforto da minha casa, a comidinha da mamãe, a minha língua materna, minha cultura, para ir onde Ele tem me chamado. Segundo porque se eu não tiver amor por vidas, como vou apresentar Jesus aos povos? É impossível fazer missões sem amor, e o que eu faço no campo é nada mais nada menos que amar as pessoas. Há muitos países que não se pode pregar o evangelho, há também o desafio do idioma, ou até mesmo onde há liberdade religiosa, a única forma de apresentar Jesus às nações é sendo Seus imitadores.
"De 100 homens, um lerá a Bíblia; 99 lerão o cristão."
  Tenho memórias gravadas na minha mente: crianças descalças, povos isolados na Amazônia, vilarejos distantes nas montanhas, pessoas que tocaram na Bíblia pela primeira vez, sertanejos orando por chuva, uma paciente em estágio terminal do HIV... Se eu amo pessoas, eu sentirei prazer em orar, levar as boas-novas e ser encorajada a não desistir da minha caminhada por mais desafiadora que pareça. Eu entendi que Ele me amou primeiro e também têm me ensinado dia após dia a amar o meu próximo, seja quem for. Amar um povo distante, perdido e enfermo, de outra religião, outra cultura, um povo simpático mas que muitas vezes dizem não para mim enquanto tento me aproximar para falar de Jesus. Claro que o amor não vem de mim mesma, não é fácil assim, vem de Deus, é fruto e dom do Espirito. Tudo começa com o Amor, e os outros frutos serão gerados naturalmente, pois o amor traz consigo a paciência, a bondade, fidelidade, mansidão....
Descobri que a coisa mais importante que acontece quando você ama, 
é que você muda (para melhor).







19 de abril de 2017

Nosso lugar, só nosso!

 Quando você tem intimidade com alguém nem sempre precisa de palavras para entender o que a outra pessoa quer falar. Um olhar, um suspiro, um toque, já será suficiente...

  Depois de um feriadão de quase 10 dias eu estava com saudades de casa, em especial do lugar onde eu O encontro, e o lugar não tem nada de mais além de um banquinho e uma janela aberta de onde eu posso ver o céu estrelado enquanto conversamos.
  Mas sabe, ao voltar para 'nosso lugar' algo me chamou a atenção: o banquinho estava lá, intocável. Bem, esse lugar de encontro com Deus, embora seja só nosso, muitas pessoas tem acesso, pois não é um lugar escondido, privado, e me surpreendeu ver que mesmo depois de uns 10 dias em que eu estive fora ninguém tinha tocado, tudo estava do mesmo jeito. Eu estava com tanta saudade de ir lá, sentar e encontrar o meu Pai, e ao ver o banquinho lá, eu senti como se Ele me falasse que também me esperava ansiosamente, que o nosso lugar estava pronto, que nunca mudou! O Pai já estava lá só esperando que eu chegasse e ocupasse o meu lugar no nosso encontro, Sempre Deus é o mais interessado em nos encontrar, em chegar primeiro e preparar o lugar com Sua presença para nos receber.

INTIMIDADE

Meu lugar estava lá, sempre vai estar, embora que mude o cenário, embora que mude o ambiente ou passe os dias, sempre será um lugar para dois, só nós dois, eu e o Pai... 




"Com amor eterno te amei; com amor leal a atraí para mim mesmo!"
Jeremias 31.3


P.sNão abra mão dos seus momentos com Ele. Gaste/Ganhe tempo de qualidade com o Pai, porque não existe relacionamento sem intimidade...


15 de janeiro de 2017

Karen, fique comigo.

Esse foi o pedido de uma criança tailandesa de 4 anos de idade enquanto eu cuidava dele durante uma crise de asma durante a madrugada, e esse pedido foi também uma resposta de oração.
  Vir para Ásia fazer missões não foi um sonho, uma aventura ou uma loucura. Vir para Ásia fazer missões foi o cumprimento de uma promessa do Senhor na minha vida. Aqui nesse continente é o lugar que Deus tem me chamado para atuar já faz muito tempo e derramado um amor em meu coração que não sei explicar. Eu amo a Ásia e também entendo que aqui é um dos lugares que mais necessita de missionários e poucos querem vir, pois os desafios são capazes de assustar muitos, mas não a mim.
  Então eu vim. Vim com uma mala, um visto de um ano, a cara e a coragem. Confesso que eu ainda questionava quanto tempo eu ficaria na Tailândia, se seria só um ano mesmo como estava no meu visto ou mais tempo e comecei a orar por algo que no fundo eu já sabia qual seria a resposta.
  Ao olhar pra trás, para as pessoas e as coisas que deixei no Brasil, eu já não enxergava mais a minha vida lá. Por que voltar a minha antiga vida se agora eu estava exatamente no lugar que Deus prometeu me dar? E as respostas às minhas orações sempre eram voltadas à vida de Jesus e os discípulos, e Deus me fez entender que o chamado era ir sem se preocupar em voltar. Eu simplesmente não posso voltar atrás e desistir do "Eis-me aqui. Envia-me a mim!".

" Jesus lhes disse: 'Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente', 
então eles largaram logo as redes e foram com Jesus." (Mateus 4.19-20)

  Não apenas nesse versículo acima, mas em tantos outros mostram Jesus chamando discípulos e eles indo, e é sempre assim "Vão". Não existem promessas de volta; não há volta.

  Eu decidi ficar na Tailândia depois de muito orar e buscar conhecer a vontade do Senhor, que sempre me dizia para não ficar ansiosa com o futuro incerto, de quanto tempo será, como, onde, finanças e etc.
Ouvi Deus me encorajar e entendi que deveria estudar o idioma Thai; senti paz; segui cada direção que Ele me trouxe e aceitei cada mudança; me alegrei com os planos do Senhor para o meu 2017; no mesmo dia que perguntei ao Senhor se deveria continuar aqui, ouvi o pedido dessa criança como o próprio Deus me dizendo: FIQUE!

Meu tempo aqui ainda não acabou, está só começando!

4 de janeiro de 2017

3 Razões para os missionários mandarem emails

por Gabriel Louback
No 1º semestre de 2016, tive a oportunidade de dar uma aula sobre conteúdo, texto e comunicação à 5ª turma do CTMAIS. Uma das perguntas que surgiram foi: “Por que eu preciso escrever um email para minha igreja, pastor ou mantenedores? Eu não gosto de falar de mim”. Me identifico muito com essa pergunta, pois, como jornalista, também tenho dificuldade sobre falar de mim. Assim, decidi falar um pouco mais sobre isso, sobre por que não só missionários precisam escrever, mas por que todos deveríamos.
Como jornalista, estou acostumado a dar voz às histórias que talvez não seriam contadas se eu não estivesse ali, ouvindo cada uma delas. Ao pensar nessa vocação aplicada ao Reino, isso faz ainda mais sentido quando pensamos na caminhada junto à igreja sofredora: somos chamados a chorar com os que choram, a abraçar os desamparados. Por termos sido nós mesmos abraçados em nossas dores e tido nossas lágrimas enxugadas, somos convidados a fazer o mesmo. Creio que escrever uma carta ou email contando sobre o que temos visto e vivido faz parte desse ministério. Por isso, listei 3 motivos que me levam a crer nisso.
1 – Dar voz às vozes que não são ouvidas
Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados, (…) defenda os direitos dos pobres e dos necessitados“
 – Provérbios 31:8-9
Quando me perguntam sobre chamado ou vocação, é esse texto de Provérbios que me vem à cabeça. Vem acompanhado de outros, entre eles “Moisés, o que é isso em sua mão?” (Ex 4:2), sobre usar o que já possuo; ou “Adão, onde está você?” (Gen 3:9), que me faz lembrar qual é meu primeiro chamado. Mesmo assim, o texto de Provérbios me dá uma direção, o que fazer com o que possuo nas mãos, para qual fim, além de ser o resultado do encontro com o Eterno à tardinha, o que acontece depois disso: erguer a voz em favor dos que não podem defender-se.
2 – Obra de Deus, ministério de todos
É importante escrever porque é importante que sua igreja e seus parceiros saibam sobre o que você tem feito, não como relatório, mas como participação conjunta. Como uma das alunas naquela aula respondeu sabiamente, “Não estamos sozinhos na obra. Ao escrevermos, trazermos para perto de nós, para aquela caminhada, as pessoas que não estão ali conosco fisicamente”. Nesse processo, conseguimos trazê-las para perto, para nosso dia a dia, fazendo com que a distância diminua. Esse ministério não é só nosso, mas também da comunidade que nos apoia. Quando escrevemos, a comunidade assume o lugar dela conosco.
3 – Testemunhar as maravilhas que Deus faz
É importante escrever pois, no campo, temos acesso a histórias e acontecimentos que a maioria das pessoas não saberão se não contarmos. As cartas de Paulo, por exemplo, narram o que ele vivia mas, acima de tudo, narram o que Deus estava fazendo. Da mesma maneira, os emails e cartas enviados por missionários distantes — mais do que suas conquistas e realizações –, devem refletir as façanhas e maravilhas realizadas por Deus.
As histórias que contamos têm um único personagem e narrador, o próprio Senhor da História. No fim, elas devem falar sobre Ele, não sobre nós. O Eterno tem contado uma história com a humanidade há milhares de anos. Ele estava lá quando procurou um Adão que se escondia. Ele estava lá quando a Tenda do Encontro foi armada, para conversar como um amigo com Moisés. Ele está aqui hoje, e convida-nos a fazer parte da história dEle.

Erga sua voz, exerça esse ministério comunitário e testemunhe sobre o que Deus tem feito.