11 de novembro de 2014

Ninguém falou que seria fácil...

( Postagem referente aos dias 06 à 08/06/2014)


   A saudade de casa era grande, e quanto mais se aproximava o dia do meu aniversário, isso intensificava mais.
  Foi a primeira vez em minha vida que passei datas importantes longe da minha família, e isso foi doloroso. A próxima data seria meu aniversário, e o clima já estava delicado a cada ligação que eu fazia ou recebia dos amigos e parentes, e eu estava tentando ser forte, até o dia que pela primeira vez eu ouvi minha mãe chorar no telefone enquanto falava comigo... Aquilo me machucou, porque em todo o tempo eu pensava nos que ficaram e não em mim, e agora além de todas as preocupações do cotidiano que estavam sendo muitas, vinha a saudade insistindo em doer. Eu não tinha a quem recorrer que me entendesse e me consolasse por completo, além do meu Pai, então corri pra Ele em lágrimas, coração em dor... E foi quando eu comecei a compreender o quanto é alto o preço de um chamado missionário e muito mais que isso, como é alto o preço do mandamento " Amar a Deus sobre todas as coisas"! O Senhor começou a ministrar em meu coração sobre confiança, e me trouxe à memória promessas que se cumpririam à medida em que eu obedecesse e fosse forte, gerando confiança e me levando a lugar de honra, lugares mais altos. Uma canção tomou conta do meu tempo, como uma oração, onde eu dizia para Deus:

" Sei que depender é como viver perigosamente,
  mas eu preciso acreditar e confiar no que Você me diz..."


  Então, chegou o meu aniversário!
  Comemoramos em um shopping na praça de alimentação e foi bastante divertido, a parte difícil foi estar em um shopping e não poder me presentear com qualquer coisa que eu quisesse. Lembrei rapidamente do ano anterior, onde eu olhei minha cama repleta de presentes e tive uma sensação, como uma certeza me dizendo para desfrutar pois Ele estava permitindo ser tão especial porque em 2014 seria um ano diferente e que eu não teria tudo aquilo... E pra ser sincera, eu senti falta dos presentes, do dinheiro remunerado pelo trabalho, das companhias, e foi quando Deus falou comigo:

" - Por que você está sentindo falta da sua antiga vida, se Eu não tenho deixado lhe faltar NADA? Lembra dos levitas, Karen? Eles não receberam terras, porque Eu, o Senhor, era a propriedade deles. Eu sou sua propriedade!" 

  Pois é, isso foi tudo que eu precisava ouvir Dele e confiar!


  Se não dói, não é sacrifício!




Experimentando algo chamado: Fidelidade!

( Postagem referente ao dia 03/06/2014)

Começamos a avistar as luzes de Manaus depois de 5 dias subindo o rio. 

  Já era 21:30 quando eu pisei o solo manauara e eu estava de fato me sentindo realizada. Apanhamos nossas bagagens e seguimos para a base de Jocum Manaus, onde nos esperavam com um lanche e muita gentileza para nos acomodar. Apesar de ser tarde da noite e tudo na base estar um pouco escuro, aquele lugar era familiar pra mim, e em minha mente eu fiquei relembrando cada detalhe de um sonho que tivera há 1 ano atrás, onde eu estava na Amazônia e depois seguia para a base de Jocum Manaus. Sim! No sonho eu falava em uma ligação que estava lá, e muitos detalhes do que eu tinha visto no sonho eram exatamente iguais ao que eu estava vendo naquele momento. Agora eu conhecia fisicamente um lugar que Deus já havia me apresentado em sonhos, e essa fidelidade do Pai, essa precisão, esse cuidado em honrar Suas promessas, me surpreende cada dia mais!
  Eu estava ali, e mesmo sem saber o que me esperava pelos dois meses que viriam, meu coração estava cheio de expectativa e desejo de viver esse tempo preparado pelo Senhor...

"Não pare de sonhar e ajudar outros a sonharem , porque sonhos interpretado em prisões geram promoções, foi assim com José do Egito e será assim com você."




9 de novembro de 2014

Era uma vez um lugarzinho no meio do nada...

( Postagem referente ao dia 30/05/2014)

Estreito de Breves
 
  O Estreito de Breves é um lugar muito conhecido na região amazônica, porque serve de ligação à navegação entre os estados do Pará e seus vizinhos, e levamos em torno de 5 horas para atravessá-lo por completo.
   Como o próprio nome diz, o lugar é estreito, a floresta e o rio também. Enquanto navegamos admirando a paisagem belíssima, do nada surgem algumas casinhas ilhadas e isoladas, onde eles não tem um vizinho sequer! Como é típico da região, essas pequenas casas de palafita é feita em apenas um vão para abrigar uma família inteira, e eles não tem acesso a educação, saúde, água encanada e potável, lazer, nenhuma qualidade básica de vida.

  À medida que o navio passava nessa região, ia aparecendo algumas canoas, onde muitas vezes apenas crianças estavam ali dentro remando, algumas sem roupa, outras com pouca roupa, e elas aproximavam a canoa do navio e gritavam pedindo roupa, comida, e como as pessoas que viajam muito de navio já sabem dessa cultura, sempre levam em sacolas algo para doar, e jogam lá de cima do navio, e aquelas crianças estão ali sobrevivendo a correntezas, a marola que o navio faz, ao esforço para apanhar aquelas sacolas, e tantos outros riscos! Essa região parece ser esquecida e desprovida de tudo. Parece que o governo não vê, parece que ninguém sabe da existência deles, ninguém faz nada, e enquanto isso eles vivem ali sem recursos e vulneráveis a todos os tipos de situações. Em alguns trechos, eu notei que as crianças não sabiam falar, elas se expressavam apenas com gritos ou expressões, mas não eram palavras e elas eram crianças na idade de 3-5 anos. Fiquei pensando sobre aquilo, sobre a falta à informação daquelas famílias, que talvez a língua portuguesa já esteja quase extinta entre eles. 
  Avançando até mais próximo das cidades, essas crianças vêm até o navio, e encostam a canoa em um dos pneus ou na barra lateral e sobem até ter acesso ao primeiro andar. Quando eu vi elas fazendo isso, fiquei preocupada, porque é muito arriscado! Enfim, elas vêm para vender açaí, camarão, cupuaçu, e permanecem no navio até a cidade mais próxima, onde elas esperam outro navio descer, e ficam nesse ciclo. Dentro do navio, essas crianças e pré-adolescentes estão muito vulneráveis, principalmente a pedofilia, pois a área do navio que elas ficam por mais tempo é o bar, e onde tem bebida, álcool, drogas, homens e crianças todos juntos, é tenso o clima. Eu tive oportunidade de conversar com uma adolescente dessa região e que vive nessa prática de ir vender nos navios, e ela me contou sobre sua realidade, dificuldades e ela deixou tão claro que busca qualquer oportunidade para mudar de vida, que sua pouca roupa e sensualidade não falaram o contrário...
  Tivemos períodos de intercessão específica sobre esse assunto, combatendo em oração contra a pedofilia e prostituição no meio dos ribeirinhos, porque essa prática é muito comum de se ver na Amazônia, principalmente dentro de navios. Embora eu estivesse ali, com o coração apertado ao ver todas essas coisas, dentro de mim o clamor era mais forte do que tudo, e eu não consegui mais olhar pra aquele povo como antes, mas sim com olhar de compaixão e sede de justiça.

  Foi um lugar que ficou marcado em meu coração e que eu desejo voltar um dia, não apenas passando em um navio, mas poder visitar aquelas famílias e falar o quanto eles são especiais pra um Deus Criador de TODO o universo...

8 de novembro de 2014

Enquanto isso no navio...

( Postagem referente ao dia 28/05/2014)


  Nosso "culto de envio" aconteceu no dia 23/05. Lágrimas, risos, despedidas, enfim... 
foi tudo lindo!

  Começamos a arrumar as malas e a primeira equipe saiu pro prático na Ilha do Marajó-PA, e na equipe que eu estava, éramos 11( 9 alunos e 2 líderes). Almoçamos cedo, pegamos a lancha para Belém, e em poucas horas estávamos na estação fluvial esperando o navio...
  Foi muito novo pra mim, porque eu nunca tinha entrado em nenhum navio, muito menos pra viajar e passar 5 dias dentro de um! Entramos e nos acomodamos no galpão do segundo andar, e logo começamos a armar nossas redes. O engraçado de navio popular é que todos convivem no mesmo galpão, as redes armadas e as bagagens em baixo delas, então o espaço é pouco, o calor é intenso, o barulho é muito, e como é uma viagem um pouco entediante pela falta do que fazer, é preciso muita tolerância, mas como nem todos têm, nós pagamos o preço com um alcoólatra que nos chateou insistentemente durante os 5 dias de viagem...
  No navio nós vivemos d tudo um pouco, foi bem intenso esse primeiro momento do nosso prático. Nos primeiros dias as pessoas demoravam para se aproximar, porque éramos um grande grupo e de missionários, então nossa estratégia de evangelismo foi apenas os relacionamentos, onde passávamos a maior parte do tempo nos esforçando para conhecer pessoas, conversar, e sempre que tivesse oportunidade, falar do amor de Deus. Dessa forma, conquistamos nosso espaço e em pouco tempo as pessoas que nos procuravam para conversar e com muito interesse!
  Pude entregar versículos bíblicos para alguns com os quais tive maior contato, e no penúltimo dia pela manhã conseguimos um espaço no bar do navio para fazermos um culto infantil, onde foram alcançadas 14 crianças e vários adultos.  No mesmo dia a noite, Deus nos levou mais adiante e conseguimos fazer um culto no galpão de festas do navio. Mal conseguimos acreditar nisso! Convidamos todos os tripulantes e fizemos um culto com dança, teatro, testemunhos(inclusive o meu que foi traduzido para os estrangeiros ali presentes), palavra, oração, e quando o culto terminou, as pessoas continuaram ali sentadas, querendo mais, esperando mais, sedentas e famintas pela Palavra de Deus. Então rapidamente a equipe se dividiu e a cena seguinte foi de pessoas contando suas histórias com lágrimas e pedindo orientação e oração, pequenos grupinhos de oração, outros com interesse para conhecer mais a Deus, e ninguém saiu dali vazio! Pelo contrário, a Palavra nos manda ser sal, e o sal além de dar sabor, traz sede, e foi o que vimos naqueles tripulantes, até mesmo o alcoólatra estava lá para nos pedir perdão e nos ouvir falar sobre Deus. Deus é fiel!

  Depois de passar 5 dias subindo o rio e pararmos em 9 cidades, chegamos ao nosso destino: Manaus-AM !



5 de novembro de 2014

Um lugar familiar...

( Postagem referente aos dias 30/03, 05 e 19/04/2014)

Comunidade São Francisco-PA


  Essa foi a comunidade que mais visitamos, porque nossa casa era no mesmo bairro, então pudemos conhecer melhor as pessoas e criar vínculos de amizade. Situada em Barcarena interior do Pará, essa comunidade é formada por casas de sítios, algumas ribeirinhas, outras em terra seca. Pessoas carentes, muitos problemas de pele, cheguei a visitar famílias inteiras que moram todos juntos na mesma casa de palafita, sendo apenas um vão para umas 8 pessoas aproximadamente...




Trabalhamos com algumas igrejas, participamos de cultos nas ruas e células, visitamos casas e evangelizamos, oramos por pessoas, trabalhamos com crianças todos os fins de semana, no revezando em equipes. Foi muito proveitoso!





4 de novembro de 2014

Esse rio é minha rua!

( Postagem referente ao dia 03/05/2014)

Comunidade Utinga-Açú-PA

  Comunidade ribeirinha em região de igarapés, localizada do outro lado da Ilha de Trambioca.
  De barco, levamos um pouco mais de uma hora para chegar, e andamos um pouco a pé para começar a avistar as primeiras casas. A comunidade é grande e eles são muito hospitaleiros, ao ponto de nos dar o melhor que podiam, inclusive toda refeição era um banquete de açaí com farinha, peixe e carne. Fomos recebidos por uma igreja evangélica e nossa equipe também ficou dividida, porque éramos muitos. Assim que chegamos, começou o trabalho.
Passamos o fim de semana atendendo pessoas em um trailer na área médica, odontológica, farmacêutica e de enfermagem. Também foi feito evangelismo com crianças, palestras com adolescentes sobre pureza e sexualidade, participamos do culto onde testemunhamos e pregamos.
  As necessidades ali são parecidas com as de outras comunidades ribeirinhas: falta de saneamento básico, educação, mosquitos, água tratada, transporte, saúde, que pelo tamanho do local e quantidade de casas, deveria ter um posto d saúde, mas... Eu cheguei a visitar uma jovem de 20 anos, que na madrugada anterior tivera seu filho em casa sozinha. Isso mesmo, sozinha! Enquanto seu marido saiu para buscar ajuda, a jovem teve seu bebê ali mesmo, deitada em sua rede, dentro de sua casinha de palafita, porque o hospital mais próximo ficava há 2 horas de barco.

Enquanto os médicos atendiam, eu estava visitando pessoas e encontrei casos de tumor na cabeça, doenças de pele, alergias, entre tantas outras, e como resposta de oração, eles foram abençoados com uma equipe de missionários que além de levar a Palavra, levou também medicações e consultas.

  *Tive a alegria de conhecer uma família que me trataram como parte deles e a garotinha linda que eles tinham parecia mais ser minha filha de tão apegada que ficou a mim.

  *O presbítero da igreja realizou seu sonho: conhecer um estrangeiro que viesse de muito longe até sua comunidade para pregar o evangelho, e lá estava o Joe para cumprir esse sonho e alegrar aquele ribeirinho!

Em um paraíso cercado por água!

(Postagem referente ao dia 26/04/2014)

Comunidade Ilha de Trambioca-PA

 
Região de igarapés, navegamos quase uma hora para chegar, e beirando o rio, após passar por uma ponte extensa, estava a igreja que nos acolheu. Fomos muito bem recebidos, e a equipe foi dividida em algumas casas, porque éramos em torno de 10 pessoas.
  Fizemos uma programação especial com as crianças e até os pais foram alcançados com a Palavra.
  Participamos dos cultos, testemunhamos, louvamos, pregamos a Palavra, visitamos casas e oramos por pessoas. Também foi feita uma palestra com as mulheres sobre o câncer de mama.
  Foram tantos mimos de Deus nessa comunidade, que até na hora de ir embora eu estava ganhando frutas que gosto e um desenho de mim mesma que uma criança havia feito no culto infantil!
  Aquele lugar era lindo demais, apesar da vida simples e difícil. No último dia, eu acordei bem cedo e fui para o trapiche ( pequeno porto de madeira, típico em comunidades ribeirinhas). Fiquei ali admirando a criação de Deus, buscando Sua presença no silêncio daquele lugar. Apenas água, árvores, céu, eu e o meu Pai... Até hoje recebo respostas da oração que fiz naquele dia e naquele lugar.